Empregados da Caixa rejeitam terceira proposta e mantêm greve nacional
Paralisação chega ao 12º dia após trabalhadores recusarem novamente acordo para renovação do ACT; Saúde CAIXA continua como principal ponto de divergência
Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram nesta segunda-feira (21) a terceira proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026-2028. As assembleias virtuais foram encerradas às 18h, e a maioria das bases consultadas decidiu pela continuidade da paralisação iniciada em 10 de setembro.
A votação ocorreu por meio de plataformas eletrônicas organizadas pelas entidades sindicais. Em São Paulo, Osasco e região, por exemplo, 59,3% dos participantes votaram contra a proposta. Em âmbito nacional, a rejeição também foi majoritária nas bases que comunicaram seus resultados.
Com a decisão, a greve entra em seu 13º dia de mobilização a partir de terça-feira (22).
Saúde CAIXA continua no centro do impasse
O principal ponto de tensão nas negociações é o Saúde CAIXA, plano de assistência médica dos empregados, aposentados e pensionistas.
Na proposta apresentada pela Caixa, o banco ampliou sua participação no custeio do plano e preservou o modelo solidário, que reúne diferentes grupos de beneficiários dentro da mesma estrutura.
A Caixa propôs elevar o limite de participação da empresa no financiamento do plano para 9%, frente aos percentuais anteriores. Também foi mantido o chamado pacto intergeracional.
Outra alteração apresentada foi a retirada da cobrança diferenciada por faixa etária, que havia aparecido em versões anteriores das negociações.
Apesar dessas mudanças, a proposta não obteve aprovação da maioria das assembleias.
Como ficaria o custeio do Saúde CAIXA
A proposta apresentada para vigorar a partir de janeiro de 2027 prevê alíquota de 3,7% sobre a remuneração-base para titulares, além de valores específicos para dependentes.
Segundo a Caixa, a proposta também estabelece limites para a contribuição dos empregados e alterações nos valores de coparticipação.
O banco afirma que as mudanças foram formuladas para buscar o equilíbrio financeiro do plano e preservar sua continuidade.
Para os representantes dos trabalhadores, entretanto, o conjunto das alterações ainda não foi suficiente para encerrar o impasse.
Proposta também inclui prêmio de R$ 3 mil
Além das mudanças no plano de saúde, a proposta da Caixa inclui um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, condicionado ao cumprimento de determinados critérios relacionados ao desempenho operacional.
A instituição também apresentou alterações no programa Super CAIXA, na promoção por mérito e em outros mecanismos relacionados à carreira e à remuneração.
Segundo a Caixa, houve avanços em temas como pessoas com deficiência, saúde do trabalhador, condições de trabalho, diversidade e inclusão.
Reajustes e direitos também estão na negociação
A proposta para o ACT 2026-2028 também contempla reajuste pelo INPC acrescido de 0,6 ponto percentual sobre salários, vantagens pessoais, funções de confiança e demais referências remuneratórias em 2026 e 2027.
Os benefícios também seriam reajustados pelo mesmo índice, conforme a proposta divulgada pela instituição.
A Caixa informou ainda que as regras da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) permaneceriam inalteradas, incluindo a manutenção da PLR Social.
Por que a Caixa negocia um acordo próprio?
O ACT da Caixa possui características específicas porque complementa a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários.
A CCT estabelece regras gerais para a categoria, enquanto o ACT trata de condições específicas dos empregados da Caixa, incluindo questões relacionadas ao Saúde CAIXA, programas de carreira, benefícios e outras condições próprias da instituição.
Segundo a Fenae, o ACT específico contém cláusulas que reconhecem a aplicação da CCT aos empregados da Caixa, ressalvadas as condições específicas previstas no próprio acordo.
Terceira proposta foi construída após retomada das negociações
A Caixa retomou as negociações com as entidades representantes dos trabalhadores em meados de setembro.
Na rodada realizada em 16 de setembro, o banco apresentou novas propostas relacionadas ao Saúde CAIXA, ao Super CAIXA e ao atendimento digital, além de manter outros pontos já discutidos anteriormente.
A instituição afirmou que pretende continuar buscando uma solução negociada e destacou a necessidade de conciliar as reivindicações dos empregados com a sustentabilidade financeira da Caixa.
Greve continua após nova rejeição
A rejeição da terceira proposta mantém o movimento grevista iniciado em 10 de setembro.
A Fenae informou que a maioria dos estados decidiu pela continuidade da paralisação. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região também confirmou a rejeição da proposta e informou que a greve prosseguirá.
O comando de greve deve avaliar os resultados das assembleias e definir os próximos passos das negociações.
O que está em discussão
| Tema | Proposta apresentada pela Caixa |
|---|---|
| Saúde CAIXA | Aumento da participação da Caixa no custeio |
| Custeio do plano | Limite de participação do banco ampliado para 9% |
| Contribuição do titular | 3,7% da remuneração-base |
| Pacto intergeracional | Mantido |
| Cobrança por faixa etária | Retirada da proposta |
| Prêmio extraordinário | R$ 3 mil, condicionado a critérios |
| Super CAIXA | Alteração das regras de habilitação e premiação |
| Carreira | Mudanças em promoção por mérito e outras condições |
| PLR | Regras mantidas na proposta |
| Direitos sociais | Avanços em saúde, acessibilidade e condições de trabalho |
O impacto para clientes da Caixa
A continuidade da greve não significa paralisação completa de todos os serviços do banco.
Clientes ainda podem utilizar canais digitais, aplicativo, internet banking, terminais de autoatendimento e outros serviços que permaneçam disponíveis.
Para operações que dependam exclusivamente de atendimento presencial, entretanto, a disponibilidade pode variar de acordo com a unidade e a adesão local ao movimento.
A orientação para clientes é acompanhar os canais oficiais da Caixa e utilizar alternativas digitais sempre que possível.
Próximos passos
Com a terceira proposta rejeitada, o cenário volta a depender da negociação entre a Caixa e as entidades representantes dos empregados.
A instituição afirma manter disposição para o diálogo, enquanto os trabalhadores decidiram pela continuidade da paralisação.
O principal desafio será encontrar uma fórmula que permita avançar nas questões econômicas e trabalhistas sem ampliar o impasse em torno do financiamento do Saúde CAIXA.
Conclusão
A rejeição da terceira proposta da Caixa Econômica Federal prolonga a greve dos empregados, iniciada em 10 de setembro. O resultado das assembleias realizadas nesta segunda-feira (21) manteve a paralisação na maioria das bases consultadas.
O Saúde CAIXA permanece como um dos principais pontos de divergência. A proposta do banco ampliou sua participação no custeio para 9%, retirou a cobrança diferenciada por faixa etária e preservou o modelo solidário, mas estabeleceu novas regras de contribuição para os beneficiários.
Agora, a continuidade da greve aumenta a pressão para que as partes retomem as negociações e busquem uma nova alternativa para o ACT 2026-2028.
Fonte: Caixa Econômica Federal, Fenae, Contraf-CUT e entidades sindicais dos bancários.


