AGU leva ao STF pedido para retirar Marco Buzzi do cargo de ministro do STJ

AGU pede ao STF perda do cargo de ministro afastado do STJ Marco Buzzi

Pedido ocorre após o Pleno do STJ reconhecer infrações disciplinares e propor a perda do cargo; caso envolve duas acusações de importunação sexual

A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou nesta segunda-feira (21) com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a perda do cargo do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Aurélio Gastaldi Buzzi.

O pedido ocorre após o Pleno do STJ concluir, em 6 de agosto, o julgamento de um processo administrativo disciplinar e reconhecer, por unanimidade, a existência de infrações disciplinares. Na ocasião, o tribunal aplicou a pena de disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de contribuição e propôs a perda do cargo.

A decisão do STJ não representa, portanto, a perda definitiva do cargo. Pela sistemática aplicável ao caso, cabe ao STF analisar judicialmente o pedido formulado pela União.

Processo disciplinar no STJ

O procedimento disciplinar contra Buzzi foi instaurado para apurar denúncias apresentadas contra o magistrado.

Segundo as informações divulgadas pelo STJ, o processo administrativo disciplinar concluiu pela existência das infrações atribuídas ao ministro. O julgamento do Pleno ocorreu em 6 de agosto e foi unânime quanto ao reconhecimento das infrações.

Na mesma sessão, parte dos ministros divergiu quanto à penalidade. O resultado majoritário foi pela disponibilidade remunerada proporcional e pela proposta de perda do cargo, enquanto quatro ministros defenderam a aplicação da aposentadoria compulsória.

Por que o caso vai para o STF?

A tramitação no Supremo está relacionada à condição de vitaliciedade dos magistrados.

O STF já havia estabelecido, em julgamento anterior, que a perda do cargo de magistrado vitalício depende de decisão judicial transitada em julgado. Em junho de 2026, a Primeira Turma rejeitou recurso da Procuradoria-Geral da República e manteve entendimento segundo o qual, quando a perda do cargo é aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça, a ação deve ser ajuizada diretamente no STF pela AGU.

É esse entendimento que fundamenta a atuação da Advocacia-Geral da União no caso de Buzzi.

O que muda com o fim da aposentadoria compulsória como punição?

O caso também ganha importância porque ocorre após mudanças no regime disciplinar aplicável à magistratura.

No julgamento do processo administrativo de Buzzi, o próprio STJ registrou que a proposta de perda do cargo foi aplicada com base na Resolução CNJ 135/2011, em dispositivos que passaram a ser utilizados diante do novo cenário jurídico.

A aposentadoria compulsória, que durante muito tempo esteve entre as punições disciplinares mais severas disponíveis aos tribunais para magistrados, deixou de produzir o mesmo efeito diante do entendimento firmado pelo STF sobre as regras constitucionais posteriores à Reforma da Previdência.

O Supremo decidiu que a aposentadoria compulsória de magistrados, nas circunstâncias analisadas, é incompatível com as regras introduzidas pela Emenda Constitucional 103/2019.

Com isso, a perda efetiva do cargo passou a depender de uma ação judicial no STF.

Pedido da AGU ainda será analisado

A iniciativa da AGU não significa que Buzzi já tenha perdido definitivamente o cargo.

O pedido será submetido à análise do Supremo, que deverá examinar os fundamentos jurídicos apresentados pela União e o processo disciplinar conduzido pelo STJ.

Até que haja uma decisão judicial definitiva, permanece a diferença entre a sanção administrativa aplicada pelo STJ e a eventual perda efetiva do cargo.

Afastamento e disponibilidade

Buzzi já estava afastado de suas funções em razão do procedimento disciplinar.

Com a conclusão do processo administrativo, o STJ determinou a disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de contribuição e encaminhou a proposta de perda do cargo para a etapa judicial.

A disponibilidade é diferente da perda definitiva do cargo. Na primeira situação, o vínculo funcional permanece submetido ao regime determinado pela decisão administrativa; na segunda, o vínculo é encerrado mediante decisão judicial nos termos aplicáveis aos magistrados vitalícios.

O que o STF terá de analisar

A ação apresentada pela AGU coloca no Supremo uma questão que envolve dois aspectos principais.

De um lado, está o resultado do processo disciplinar realizado pelo STJ e a penalidade proposta pelo tribunal.

De outro, está a necessidade de uma decisão judicial para produzir a perda definitiva do cargo de um magistrado com garantia de vitaliciedade.

O STF deverá analisar o caso dentro desse quadro constitucional e processual.

Um caso de repercussão institucional

A ação tem relevância institucional porque envolve um ministro de um dos tribunais superiores do país e ocorre em um momento de mudança na aplicação das sanções disciplinares à magistratura.

O processo também estabelece um precedente prático sobre o caminho que deverá ser seguido quando um tribunal superior concluir pela necessidade de perda do cargo de um magistrado vitalício.

A decisão final do Supremo poderá esclarecer os efeitos concretos desse novo modelo de responsabilização disciplinar.

Conclusão

A AGU pediu ao STF a perda do cargo de Marco Buzzi, ministro afastado do STJ, depois que o Pleno da Corte reconheceu infrações disciplinares e propôs a perda do cargo em julgamento realizado em 6 de agosto.

O caso ainda não representa a perda definitiva da função. O Supremo precisará analisar a ação apresentada pela União e decidir sobre a medida.

A tramitação ocorre em um contexto jurídico novo, no qual a aposentadoria compulsória deixou de ser considerada uma alternativa suficiente para determinadas situações envolvendo magistrados vitalícios, segundo entendimento firmado pelo próprio STF.

O julgamento terá, portanto, impacto não apenas sobre a situação funcional de Buzzi, mas também sobre a aplicação das regras disciplinares aos integrantes da magistratura.

Fonte: Advocacia-Geral da União, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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