Quaest: maioria atribui a Flávio Bolsonaro responsabilidade pelo tarifaço dos EUA
Uma pesquisa Genial/Quaest mostrou que a maioria dos brasileiros ouvidos atribui ao senador Flávio Bolsonaro (PL) maior responsabilidade pela imposição de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros do que ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O levantamento, divulgado em 16 de julho de 2026, perguntou aos entrevistados com qual versão eles concordavam mais: a de Lula, que acusava Flávio de ter pedido a Donald Trump medidas contra o Brasil, ou a do senador, que negava a acusação e afirmava ter atuado para evitar a taxação.
Segundo a pesquisa, 51% disseram concordar mais com a versão de Lula, enquanto 30% ficaram com a explicação de Flávio Bolsonaro.
É importante destacar que as entrevistas foram realizadas entre 10 e 13 de julho, antes da decisão dos Estados Unidos de aplicar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
Lula amplia vantagem na disputa sobre responsabilidade
Os números mostram uma mudança em relação ao levantamento anterior.
Em junho, 47% dos entrevistados diziam concordar mais com Lula, enquanto 35% apoiavam a versão apresentada por Flávio Bolsonaro.
No levantamento seguinte, a diferença passou para 21 pontos percentuais.
| Opinião | Julho | Junho |
|---|---|---|
| Concorda com Lula | 51% | 47% |
| Concorda com Flávio Bolsonaro | 30% | 35% |
| Não sabe/não respondeu | 6% | 8% |
A variação ocorreu dentro da margem de erro para alguns dos resultados, mas o cenário geral mostra vantagem maior para a versão apresentada pelo presidente.
Brasileiros também divergem sobre motivo das tarifas
A pesquisa avaliou ainda as explicações apresentadas por Lula e Flávio Bolsonaro para a decisão dos Estados Unidos.
Na versão defendida por Lula, as tarifas seriam uma retaliação relacionada ao Pix. Já Flávio Bolsonaro sustentava que as medidas seriam uma resposta às declarações de Lula contra os Estados Unidos.
Nesse caso, 49% disseram concordar mais com Lula, enquanto 33% ficaram com a versão de Flávio.
Em junho, os percentuais eram de 46% e 36%, respectivamente.
| Opinião | Julho | Junho |
|---|---|---|
| Concorda com Lula | 49% | 46% |
| Concorda com Flávio Bolsonaro | 33% | 36% |
| Nenhum dos dois | 10% | 10% |
| Não sabe/não respondeu | 8% | 8% |
Maioria não acredita que Flávio consiga convencer Trump
Outro ponto investigado pela Quaest foi a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar das tarifas diretamente com representantes do governo americano.
57% dos entrevistados disseram não saber da viagem.
Entre aqueles que avaliaram a capacidade de atuação do senador, o resultado também foi desfavorável: 58% afirmaram que Flávio não teria força para convencer Trump e o governo americano a rever as tarifas, enquanto 34% acreditavam que ele poderia conseguir uma mudança.
Outros 8% não souberam ou não responderam.
63% dizem que tarifas podem prejudicar suas famílias
A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre os efeitos das tarifas na vida cotidiana.
A maioria, 63%, afirmou acreditar que as novas tarifas impostas pelo governo Trump poderiam prejudicar sua própria vida ou a de sua família.
O percentual representa aumento em relação ao levantamento de junho, quando 55% tinham essa percepção.
Por outro lado, 31% disseram não acreditar que seriam prejudicados, contra 37% anteriormente.
| Percepção sobre impacto | Julho | Junho |
|---|---|---|
| Acredita que será prejudicado | 63% | 55% |
| Não acredita | 31% | 37% |
| Não sabe/não respondeu | 6% | 8% |
Pesquisa foi feita antes da tarifa de 25%
Um ponto importante para interpretar os resultados é o período de realização das entrevistas.
A Quaest ouviu os eleitores entre 10 e 13 de julho, enquanto a decisão americana de aplicar a tarifa de 25% ocorreu posteriormente.
Isso significa que os números refletem a percepção dos entrevistados naquele momento e não medem diretamente a reação da população após a confirmação da tarifa.
Uma nova pesquisa realizada depois da decisão poderia apresentar resultados diferentes, especialmente diante dos possíveis impactos econômicos e políticos da medida.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre 10 e 13 de julho de 2026.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-07181/2026.
O que a pesquisa mostra
Os resultados apontam que, naquele momento, a narrativa de Lula sobre a responsabilidade pelo tarifaço tinha maior aceitação entre os entrevistados do que a versão apresentada por Flávio Bolsonaro.
Além disso, a maioria dos brasileiros ouvidos não acreditava que o senador tivesse força suficiente para convencer o governo Trump a rever as tarifas.
O levantamento também indicou aumento da preocupação da população com os possíveis efeitos das medidas sobre suas próprias famílias.
Como as entrevistas foram realizadas antes da confirmação da tarifa de 25%, entretanto, os dados devem ser interpretados dentro daquele contexto específico.


