Kassio Nunes Marques já suspendeu pesquisa da AtlasIntel durante disputa eleitoral
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel durante o processo eleitoral de 2026.
A decisão foi tomada em junho, após um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia de um levantamento registrado sob o número BR-06939/2026.
O caso ganhou repercussão porque a pesquisa apresentava uma queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência, após a divulgação de informações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.
Por que Kassio suspendeu a pesquisa?
Na decisão liminar, Kassio Nunes Marques afirmou ter identificado indícios de que o questionário poderia induzir os entrevistados e influenciar respostas posteriores sobre imagem, rejeição e intenção de voto.
Segundo o TSE, o ministro considerou que o levantamento apresentava elementos que poderiam ultrapassar os limites de uma pesquisa destinada exclusivamente a medir a opinião dos eleitores.
Entre os pontos questionados estava a utilização de um áudio relacionado a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
O ministro também determinou que a AtlasIntel apresentasse documentação técnica complementar para esclarecer a metodologia utilizada no levantamento.
AtlasIntel contestou os questionamentos
A AtlasIntel informou que respeitaria a decisão judicial e que colaboraria com a Justiça Eleitoral na apresentação das informações solicitadas.
O instituto, porém, afirmou manter confiança na metodologia da pesquisa e sustentou que o áudio apontado como motivo da controvérsia não teria sido reproduzido aos entrevistados durante a aplicação do questionário principal.
A empresa também afirmou esperar que a análise técnica do caso demonstrasse a regularidade e a legalidade do estudo.
Decisão provocou debate sobre liberdade de informação
A suspensão provocou críticas de especialistas e profissionais ligados ao setor de pesquisas.
Alguns juristas questionaram se a medida poderia representar uma restrição indevida à divulgação de informações eleitorais. Outros avaliaram que a Justiça Eleitoral poderia intervir diante de indícios de que um questionário estivesse sendo utilizado para influenciar respostas.
A divergência mostra que o caso não envolveu apenas a disputa política, mas também um debate sobre os limites da atuação judicial sobre pesquisas eleitorais.
TSE analisou decisão de Kassio
Após a decisão individual, o caso foi levado ao plenário do TSE para análise dos demais ministros.
Kassio defendeu a manutenção da suspensão, enquanto a ministra Estela Aranha pediu vista do processo, adiando a conclusão do julgamento naquele momento.
O episódio passou a ser citado no debate sobre a atuação da Justiça Eleitoral durante a campanha de 2026.
“Censura” ou controle judicial?
A expressão “censura” passou a ser utilizada por críticos da decisão para descrever a suspensão da pesquisa. A Folha, por exemplo, publicou reportagem tratando da controvérsia e registrando divergências entre especialistas sobre a medida.
Já a posição oficial do TSE foi apresentada em termos diferentes: a Corte tratou a medida como uma suspensão liminar da divulgação de uma pesquisa sob suspeita de indução do eleitor.
Essa diferença de classificação é importante para evitar que uma opinião sobre a decisão seja apresentada como um fato jurídico definitivo.
O que está em discussão
O caso coloca em debate três questões centrais para as eleições de 2026:
- até onde vai a autonomia metodológica dos institutos de pesquisa;
- quando a Justiça Eleitoral pode interferir em um levantamento;
- quais são os limites entre proteção do eleitor e liberdade de informação.
A discussão ganhou importância adicional porque pesquisas eleitorais têm forte influência sobre o ambiente político e sobre a percepção dos candidatos durante uma campanha.
Entenda em uma frase
Kassio Nunes Marques determinou, em caráter liminar, a suspensão da divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel após considerar que havia indícios de possível indução dos entrevistados; críticos classificaram a medida como censura, enquanto o TSE a apresentou como uma intervenção judicial diante de possíveis problemas metodológicos.


