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Trigo dispara em Chicago com tensão no Mar Negro; milho e soja também sobem

Os preços dos principais grãos negociados em Chicago avançaram nesta terça-feira, impulsionados por uma combinação de fatores geopolíticos, climáticos e relacionados ao mercado de biocombustíveis. O destaque ficou com o trigo, que alcançou o maior nível em cerca de três anos e meio após novos ataques contra estruturas ligadas às exportações ucranianas no Mar Negro.

A escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia aumentou a preocupação dos operadores com a continuidade do fluxo internacional de grãos. A região é estratégica para o abastecimento mundial, e qualquer interrupção prolongada pode pressionar os preços das commodities agrícolas.

Trigo atinge maior nível desde fevereiro de 2023

O contrato de trigo mais negociado na Bolsa de Chicago (CBOT) chegou a US$ 7,9225 por bushel durante o pregão, o maior valor desde 15 de fevereiro de 2023.

No fechamento, o contrato registrou alta de 8,5 centavos, encerrando a sessão a US$ 7,825 por bushel.

A valorização ocorreu depois de o mercado reagir às notícias de ataques russos contra instalações relacionadas ao comércio de grãos na região de Odessa, no sul da Ucrânia.

Autoridades ucranianas informaram que a ofensiva atingiu infraestrutura portuária e um ponto de passagem na fronteira com a Romênia. O presidente Volodymyr Zelenskiy afirmou que os alvos atingidos incluíam estruturas importantes para as exportações do país.

Rússia rejeita moratória sobre ataques no Mar Negro

O movimento de alta ganhou força depois que a Rússia rejeitou uma proposta de moratória sobre ataques no Mar Negro.

A declaração ocorreu após a Turquia informar que mantinha conversas com Rússia e Ucrânia sobre uma possível rota segura para o transporte de grãos pela região.

Segundo informações divulgadas pela Interfax, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Grushko, afirmou que uma moratória não contribuiria para aproximar uma solução pacífica para o conflito.

A reação russa aumentou a percepção de risco entre os participantes do mercado, que passaram a considerar maior a possibilidade de novas dificuldades para o transporte de commodities agrícolas.

Mar Negro continua no centro das preocupações

O Mar Negro tem papel fundamental no comércio internacional de trigo, milho e outros produtos agrícolas. Por isso, ataques contra portos e corredores de exportação podem provocar efeitos que ultrapassam as fronteiras do conflito.

Nos últimos meses, a instabilidade na região já vinha dificultando o transporte de grãos pelos portos do Mar Negro e do Mar de Azov.

Para os operadores, o principal risco agora é que uma interrupção prolongada das exportações russas ou ucranianas reduza a oferta disponível no mercado internacional e provoque novas altas.

Milho também sobe em Chicago

O milho acompanhou a recuperação do trigo e atingiu níveis não vistos em aproximadamente três anos.

O contrato de milho na CBOT terminou o pregão com valorização de 8,25 centavos, a US$ 5,46 por bushel.

Além do efeito positivo provocado pelo trigo, o mercado também avaliou sinais de uma safra norte-americana menos favorável.

Com a oferta dos Estados Unidos sob atenção, os investidores passaram a monitorar ainda mais de perto as condições das lavouras e as perspectivas para a produção.

Soja avança com biocombustíveis e compras chinesas

A soja também registrou forte valorização. O contrato terminou o dia com alta de 29,75 centavos, a US$ 13,17 por bushel, alcançando o maior patamar em mais de dois anos e meio.

Dois fatores ganharam destaque na formação dos preços.

O primeiro foi uma decisão anunciada nos Estados Unidos envolvendo créditos de combustíveis renováveis. A Agência de Proteção Ambiental norte-americana concedeu isenções a pequenas refinarias equivalentes a 1,76 bilhão de créditos referentes ao ano de conformidade de 2025.

A agência também informou que pretende propor a redistribuição, nos próximos anos, das obrigações dispensadas para refinarias de maior porte.

A perspectiva de maior demanda relacionada aos biocombustíveis foi interpretada positivamente pelo mercado de soja, uma importante matéria-prima para a produção de biodiesel.

O segundo fator foi a continuidade das compras de soja norte-americana pela China, enquanto as condições climáticas nos Estados Unidos também despertam preocupação.

Clima quente e seco aumenta atenção sobre a safra dos EUA

O clima nos Estados Unidos permanece entre os principais fatores observados pelos participantes do mercado de soja.

As preocupações com períodos de calor e baixa umidade aumentaram o receio de impactos sobre o desenvolvimento das lavouras.

Caso as condições climáticas comprometam o potencial produtivo, o mercado poderá revisar as estimativas de oferta, aumentando a pressão sobre os preços.

Petróleo também influencia mercado de commodities

Outro elemento que contribuiu para o ambiente positivo entre as commodities foi a forte alta do petróleo.

Os preços do petróleo avançaram aproximadamente 4%, atingindo o maior nível em uma semana, diante da retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã e dos temores de possíveis interrupções no abastecimento do Oriente Médio.

A relação entre petróleo e oleaginosas também passa pelo mercado de biocombustíveis. Quando o petróleo sobe, a competitividade econômica de combustíveis produzidos a partir de matérias-primas agrícolas pode aumentar, influenciando as expectativas de demanda por produtos como a soja.

Fechamento dos principais grãos em Chicago

CommodityFechamentoVariação
TrigoUS$ 7,825/bushel+8,5 centavos
MilhoUS$ 5,46/bushel+8,25 centavos
SojaUS$ 13,17/bushel+29,75 centavos

O que pode movimentar os preços daqui para frente?

O mercado de grãos deverá continuar acompanhando principalmente quatro fatores:

  • Conflito entre Rússia e Ucrânia: novos ataques a portos e estruturas de exportação podem elevar o prêmio de risco do trigo e de outras commodities.
  • Condições climáticas nos Estados Unidos: calor e seca podem alterar as projeções para milho e soja.
  • Compras chinesas: a continuidade da demanda da China pode sustentar os preços da soja.
  • Petróleo e biocombustíveis: mudanças nos preços da energia e nas políticas de combustíveis renováveis podem influenciar a demanda por oleaginosas.

Mercado agrícola volta a precificar risco geopolítico

A sessão desta terça-feira mostrou como acontecimentos fora do setor agrícola podem provocar movimentos expressivos nos preços dos grãos.

O trigo foi o principal destaque, reagindo diretamente ao aumento das incertezas envolvendo as exportações pelo Mar Negro. Milho e soja, por sua vez, encontraram suporte adicional em fatores próprios de seus mercados, como perspectivas de safra, demanda chinesa e políticas de biocombustíveis.

Para os próximos pregões, a evolução do conflito no Mar Negro, o clima nos Estados Unidos e o comportamento do petróleo devem permanecer entre os principais indicadores acompanhados pelos investidores.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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