Pesquisas de Quaest, Datafolha, Atlas e Meio/Ideia mostram cenários diferentes entre Lula e Flávio

Pesquisas mostram Lula à frente no 1º turno e disputa apertada com Flávio Bolsonaro

Quaest, Meio/Ideia, Atlas/Bloomberg e Datafolha registraram vantagem numérica de Lula no primeiro turno, enquanto os cenários de segundo turno apresentaram diferenças menores

Levantamentos divulgados entre julho e agosto de 2026 mostraram Lula (PT) numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações de primeiro turno. Nos confrontos diretos entre os dois, as pesquisas registraram diferenças variadas, algumas dentro da margem de erro.

As pesquisas eleitorais divulgadas por Quaest, Meio/Ideia, Atlas/Bloomberg e Datafolha ao longo de julho e agosto apresentaram um ponto em comum: Lula aparecia numericamente à frente de Flávio Bolsonaro nos cenários estimulados de primeiro turno.

A distância, porém, variava de acordo com o instituto, a metodologia, o período de realização das entrevistas e o tamanho da amostra.

Nos cenários de segundo turno entre Lula e Flávio, as diferenças também oscilaram. Em alguns levantamentos, a distância estava dentro da margem de erro; em outros, a diferença numérica era maior.

É importante destacar que pesquisas de intenção de voto representam um retrato do eleitorado no período em que as entrevistas foram realizadas e não constituem previsão do resultado da eleição.

Quaest: Lula tinha 38% e Flávio, 31% no primeiro turno

A pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto mostrava Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro.

Na sequência apareciam Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 4% cada. Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) tinham 2%, enquanto Samara Martins (UP) registrava 1%.

O levantamento registrou ainda 10% de eleitores indecisos e 8% que declararam voto branco, nulo ou intenção de não votar.

No segundo turno entre Lula e Flávio, o resultado foi de 43% a 40%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, o resultado foi classificado como empate técnico.

A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre 10 e 13 de agosto, presencialmente, em todo o país. A margem de erro máxima era de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-06773/2026.

Meio/Ideia: diferença de 5,5 pontos no segundo turno

No levantamento Meio/Ideia divulgado em 5 de agosto, Lula aparecia com 43% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 35%.

Ronaldo Caiado tinha 5,7%, Renan Santos 4,7%, Romeu Zema 2,6% e Augusto Cury 1,7%. Os demais nomes testados ficaram abaixo de 1%.

No segundo turno entre Lula e Flávio, a pesquisa apontava 48,5% para Lula e 43% para Flávio Bolsonaro, uma diferença de 5,5 pontos percentuais.

A pesquisa entrevistou 1.500 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro informada era de 2,5 pontos percentuais.

O levantamento também registrou uma mudança na distância entre os dois candidatos ao longo das rodadas anteriores: em maio, os números estavam muito próximos; posteriormente, Lula passou a registrar vantagem numérica maior.

Atlas/Bloomberg: Lula tinha 44,9% no primeiro turno

A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 28 de julho apresentou uma diferença maior entre os dois principais nomes.

Lula aparecia com 44,9%, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 35,8%.

Renan Santos tinha 7,8%, Ronaldo Caiado 3,1%, Romeu Zema 2,8%, Samara Martins 2,1% e Augusto Cury 1,6%.

No segundo turno entre Lula e Flávio, o levantamento apontava 47,4% para Lula e 37% para o senador.

A pesquisa ouviu 5.000 pessoas, utilizando questionário estruturado pela internet, e informou margem de erro estimada de um ponto percentual.

Datafolha: Lula tinha 40% contra 32% de Flávio

No Datafolha divulgado em 24 de julho, Lula registrava 40% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 32%.

Ronaldo Caiado tinha 4%; Renan Santos e Romeu Zema, 3% cada; Augusto Cury, 2%; e Cabo Daciolo, Samara Martins e Rui Costa Pimenta, 1% cada.

No segundo turno, Lula aparecia com 48%, contra 43% de Flávio Bolsonaro.

O Datafolha entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 22 e 24 de julho. A margem de erro era de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-01166/2026.

Comparação dos quatro levantamentos

InstitutoDataLula — 1º turnoFlávio — 1º turnoLula — 2º turnoFlávio — 2º turno
Quaest14/0838%31%43%40%
Meio/Ideia05/0843%35%48,5%43%
Atlas/Bloomberg28/0744,9%35,8%47,4%37%
Datafolha24/0740%32%48%43%

Os números mostram que havia diferenças relevantes entre os institutos. Isso pode ocorrer por causa de metodologia, período da coleta, forma de abordagem dos entrevistados, tamanho da amostra e momento político em que as entrevistas foram realizadas.

Por isso, a comparação direta entre percentuais de institutos diferentes exige cautela.

O que os números de julho e agosto indicavam

Considerando exclusivamente esses quatro levantamentos, Lula aparecia numericamente à frente de Flávio Bolsonaro tanto no primeiro turno quanto nos quatro cenários de segundo turno apresentados.

Entretanto, isso não significa que os resultados pudessem ser tratados como uma tendência definitiva para a eleição.

A pesquisa Quaest de agosto, por exemplo, mostrou uma diferença de apenas três pontos entre Lula e Flávio no segundo turno, dentro da margem de erro de dois pontos.

Já Atlas/Bloomberg apresentava uma diferença de 10,4 pontos nesse mesmo confronto, enquanto Meio/Ideia e Datafolha apontavam diferenças de 5,5 pontos.

Essa variação demonstra a importância de observar a metodologia e a data de cada levantamento, e não apenas comparar percentuais isolados.

As pesquisas mais recentes mudaram o quadro

Os números acima precisam ser lidos como um retrato de julho e agosto de 2026.

Em setembro, novas pesquisas passaram a registrar outro cenário. A Quaest divulgada em 14 de setembro, por exemplo, apontou Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 31% no primeiro turno, enquanto, no segundo turno, Flávio apareceu com 42% contra 40% de Lula — resultado dentro da margem de erro de dois pontos.

Também em setembro, o Datafolha passou a registrar 39% para Lula e 36% para Flávio no primeiro turno, enquanto outros institutos apresentaram números diferentes.

Portanto, os levantamentos de julho e agosto não devem ser apresentados como se fossem os números atuais da corrida presidencial.

O que pode explicar as diferenças entre pesquisas

Não existe necessariamente contradição quando dois institutos apresentam percentuais diferentes.

As pesquisas podem captar momentos distintos do eleitorado e utilizar métodos diferentes de coleta.

Além disso, pequenas oscilações dentro da margem de erro não significam necessariamente mudança real no comportamento eleitoral.

Outro fator é o conjunto de candidatos apresentado ao entrevistado. A presença ou ausência de determinados nomes pode alterar a distribuição das intenções de voto.

Por isso, a leitura mais adequada é observar séries históricas dentro do mesmo instituto, além de considerar o período de campo e a margem de erro.

Segundo turno exige atenção à margem de erro

Os cenários entre Lula e Flávio Bolsonaro merecem atenção justamente porque vários levantamentos apresentaram diferenças relativamente pequenas.

Na Quaest de agosto, por exemplo, os 43% de Lula contra 40% de Flávio estavam dentro da margem de erro.

Isso significa que não seria adequado interpretar o resultado como uma vantagem estatisticamente consolidada.

O mesmo cuidado deve ser aplicado a qualquer levantamento em que a diferença entre os candidatos seja igual ou inferior à margem de erro.

Conclusão

As pesquisas divulgadas entre julho e agosto apresentaram Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e diferenças variadas nos cenários de segundo turno.

Quaest, Meio/Ideia, Atlas/Bloomberg e Datafolha registraram resultados diferentes em razão de metodologias, períodos de coleta e margens de erro distintas.

O dado mais importante, do ponto de vista jornalístico, é que as pesquisas são retratos de momentos específicos e não permitem, isoladamente, antecipar o resultado da eleição.

Como novos levantamentos foram divulgados posteriormente, os números de julho e agosto devem ser tratados como parte da evolução histórica da corrida presidencial, e não como fotografia atual do eleitorado.

Fontes: Quaest, Meio/Ideia, Atlas/Bloomberg, Datafolha, TSE e reportagens de imprensa sobre os respectivos levantamentos.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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