Ibovespa sobe pelo 8º dia seguido mesmo com discurso duro do Fed
Depois de um começo de agosto marcado por pressão sobre os ativos brasileiros, o Ibovespa B3 conseguiu emendar uma sequência de altas nos últimos pregões do mês. Nesta sexta-feira (28), o principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,30%, aos 175.664,62 pontos, registrando a oitava sessão consecutiva de valorização.
O resultado chamou atenção porque o Ibovespa passou boa parte do pregão no campo negativo. O movimento mudou ao longo do dia após os investidores avaliarem novos dados sobre a economia brasileira e as perspectivas para os juros domésticos.
No exterior, entretanto, o ambiente foi mais desafiador depois de um discurso considerado duro de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, durante o simpósio de Jackson Hole.
Discurso do Fed aumenta cautela dos investidores
Warsh afirmou que a inflação dos Estados Unidos continua acima da meta de 2% e avaliou que os indicadores mais recentes, apesar de terem vindo melhores do que o esperado, ainda não são suficientes para confirmar uma mudança consistente da tendência inflacionária.
A declaração aumentou a cautela dos investidores em relação ao ritmo de flexibilização da política monetária americana.
Após o discurso, o mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos já em setembro, segundo as expectativas acompanhadas pelos investidores.
Uma perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos costuma exercer pressão sobre mercados emergentes.
Isso acontece porque títulos americanos podem se tornar relativamente mais atrativos, incentivando parte dos investidores internacionais a direcionar recursos para ativos considerados mais seguros.
Caged ajuda a Bolsa brasileira a recuperar terreno
Se o cenário externo pesou negativamente, os dados econômicos domésticos ajudaram a compensar parte da pressão.
O Caged mostrou a criação líquida de aproximadamente 58,5 mil vagas formais no período analisado. O resultado foi apontado como o menor para o período desde 2020.
Para o mercado, um ritmo mais moderado de geração de empregos pode representar um sinal de desaceleração da atividade econômica.
Esse fator ganhou importância porque veio acompanhado de uma leitura mais favorável da inflação.
IPCA-15 reforça expectativa de juros menores no Brasil
O mercado também incorporou aos preços a divulgação do IPCA-15, realizada na quarta-feira.
O indicador veio abaixo das expectativas, reforçando a percepção de que as pressões inflacionárias podem estar perdendo força.
A combinação entre inflação mais comportada e sinais de desaceleração do mercado de trabalho aumentou as apostas de que o Banco Central poderá encontrar espaço para reduzir a taxa de juros no Brasil.
Para a Bolsa, uma perspectiva de juros domésticos menores tende a ser positiva, pois pode aumentar a atratividade relativa das ações e melhorar as condições financeiras para empresas.
Ibovespa oscila mais de 2.500 pontos
O pregão foi marcado por forte oscilação.
O Ibovespa atingiu a máxima de 176.420,61 pontos durante a sessão e chegou à mínima de 173.893,63 pontos.
A diferença entre os dois extremos mostra o grau de volatilidade observado pelos investidores ao longo do dia.
O volume financeiro negociado na B3 foi de aproximadamente R$ 21,9 bilhões.
Maiores altas do dia
| Código | Variação | Valor |
|---|---|---|
| TOTS3 | +6,41% | R$ 34,69 |
| GOAU4 | +5,13% | R$ 10,45 |
| GGBR4 | +4,76% | R$ 23,97 |
| CEAB3 | +3,69% | R$ 8,14 |
| PETR4 | +3,02% | R$ 42,70 |
Maiores quedas
| Código | Variação | Valor |
|---|---|---|
| HYPE3 | -3,45% | R$ 21,25 |
| BEEF3 | -3,17% | R$ 3,97 |
| TIMS3 | -2,19% | R$ 18,33 |
| ASAI3 | -2,03% | R$ 8,20 |
| VIVT3 | -1,93% | R$ 29,39 |
Dólar sobe para R$ 5,196
No mercado de câmbio, o dólar comercial também terminou o dia em alta.
A moeda americana avançou 0,66% diante do real e fechou cotada a R$ 5,196.
A valorização ocorreu em um dia de fortalecimento do dólar diante de outras moedas importantes, em meio à mudança das expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos.
O comportamento do câmbio continua sendo um dos principais pontos de atenção para os investidores brasileiros, especialmente diante das perspectivas para os juros americanos.
O que movimentou o mercado nesta sexta-feira?
O comportamento do Ibovespa foi influenciado por forças opostas.
No exterior, a pressão veio de:
discurso mais duro do Federal Reserve;
inflação americana ainda acima da meta;
aumento das expectativas de juros mais altos nos EUA;
fortalecimento do dólar.
No Brasil, os fatores positivos foram:
Caged mostrando desaceleração na criação de empregos;
IPCA-15 abaixo das expectativas;
aumento das apostas em cortes de juros pelo Banco Central;
recuperação das ações brasileiras após uma sequência de altas.
Oito altas consecutivas mudam o cenário de agosto
A oitava alta seguida mostra uma recuperação expressiva do Ibovespa depois do início difícil de agosto.
Mesmo diante de um ambiente internacional menos favorável, os investidores encontraram motivos para manter posições em ações brasileiras, principalmente diante da possibilidade de uma política monetária doméstica mais favorável.
O cenário, porém, continua sujeito à volatilidade. A trajetória dos juros americanos, a inflação brasileira, os próximos indicadores de atividade e o comportamento do dólar deverão continuar determinando o humor dos mercados.
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