Ibovespa sobe 0,74% e volta aos 186 mil pontos com petróleo em queda
Bolsa brasileira acompanha melhora do ambiente externo, enquanto mercado reduz projeção para a Selic de 2026 e dólar recua para R$ 5,10
O Ibovespa B3 começou a semana em alta nesta segunda-feira (21), apoiado principalmente pelo ambiente mais favorável nos mercados internacionais. O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,74%, aos 186.595,60 pontos, após oscilar entre a máxima de 187.434,25 e a mínima de 185.246,81 pontos.
O volume financeiro movimentado no pregão ficou em aproximadamente R$ 27,8 bilhões, segundo dados divulgados após o fechamento.
O movimento positivo veio em um dia marcado pela queda dos preços do petróleo, recuo dos rendimentos dos Treasuries e maior procura por ativos de risco no exterior.
Petróleo recua e reduz pressão sobre inflação
O principal vetor de alívio para os mercados foi o petróleo.
O Brent caiu mais de 3% durante o pregão, encerrando a sessão em torno de US$ 100,34 por barril. A queda ocorreu em meio a expectativas de avanço de conversas diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã e a sinais de possível melhora nas condições de oferta da commodity.
A retração do petróleo diminui, ao menos temporariamente, uma fonte importante de pressão sobre a inflação global.
Isso também beneficia mercados emergentes porque reduz o risco de uma nova rodada de alta nos preços de energia e, consequentemente, de uma política monetária mais restritiva nas principais economias.
Boletim Focus reduz projeção para a Selic
No cenário doméstico, o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe uma mudança importante nas expectativas para os juros.
A mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,75% para 13,50% ao ano. A revisão indica que o mercado passou a incorporar a possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões do Copom.
A mudança ocorre depois que o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% na reunião de setembro.
O mercado, portanto, passou a trabalhar com a possibilidade de a taxa terminar o ano abaixo do nível atualmente vigente.
Inflação projetada sobe ligeiramente
Apesar da expectativa de juros menores, o Focus também trouxe uma pequena revisão para cima na previsão de inflação.
A projeção para o IPCA de 2026 passou de 4,90% para 4,92%, segundo a pesquisa divulgada pelo Banco Central.
A combinação chama atenção: de um lado, o mercado vê espaço para juros menores; de outro, elevou marginalmente a projeção para a inflação.
Isso reforça a importância dos próximos dados de atividade, inflação e das comunicações do Banco Central para definir a trajetória dos juros.
Dólar cai para R$ 5,10
O ambiente internacional mais favorável também ajudou o real.
O dólar comercial caiu 0,70%, encerrando o dia próximo de R$ 5,10. A moeda acompanhou o movimento global de menor aversão ao risco e a queda do petróleo.
O recuo do dólar também pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias relacionadas a produtos e insumos importados, embora o efeito dependa da duração e da intensidade do movimento cambial.
Ações que mais subiram
O pregão teve forte dispersão entre as ações negociadas na B3.
Entre as maiores altas do Ibovespa, os destaques foram:
| Ação | Alta no dia | Fechamento |
|---|---|---|
| HAPV3 | +8,05% | R$ 6,71 |
| CEAB3 | +6,60% | R$ 9,53 |
| CSNA3 | +6,50% | R$ 6,23 |
| VAMO3 | +6,09% | R$ 3,66 |
| VIVA3 | +5,49% | R$ 23,82 |
A Hapvida (HAPV3) liderou as altas, enquanto VIVA3, da Vivara, também apareceu entre os principais avanços do dia.
Ações que recuaram
Na ponta negativa, os maiores recuos foram:
| Ação | Queda no dia | Fechamento |
|---|---|---|
| PRIO3 | -3,46% | R$ 61,05 |
| TEND3 | -2,92% | R$ 29,24 |
| BBSE3 | -2,55% | R$ 39,82 |
| SUZB3 | -1,54% | R$ 47,25 |
| BEEF3 | -1,51% | R$ 3,92 |
O recuo de empresas ligadas ao petróleo, como PRIO3, ocorreu justamente em uma sessão marcada pela forte queda da commodity.
Nova York acompanha o movimento positivo
O ambiente externo também ajudou a Bolsa brasileira.
Em Nova York, os principais índices encerraram o dia em alta:
| Índice | Variação |
|---|---|
| Dow Jones | +0,74% |
| S&P 500 | +1,52% |
| Nasdaq | +2,26% |
O desempenho das bolsas americanas refletiu, entre outros fatores, o recuo do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O Treasury de dez anos encerrou o dia perto de 4,95%, abaixo dos quase 5% registrados na sexta-feira.
O que o investidor precisa acompanhar
O movimento desta segunda-feira representa um alívio para os ativos de risco, mas ainda não elimina as principais incertezas do mercado.
Os investidores devem acompanhar principalmente:
Petróleo: novas movimentações no Oriente Médio podem alterar rapidamente os preços;
Selic: o mercado agora projeta 13,50% para o fim de 2026;
IPCA: a projeção de inflação subiu para 4,92%;
Treasuries: os juros americanos continuam sendo referência para os mercados globais;
Dólar: a direção da moeda influencia inflação, empresas e fluxo estrangeiro;
Ata do Copom: poderá trazer detalhes sobre os próximos passos da política monetária;
IPCA-15: o indicador será importante para atualizar as expectativas de inflação.
Alívio externo ainda é reversível
Apesar da alta do Ibovespa, o movimento deve ser interpretado dentro do contexto de uma semana ainda marcada por riscos geopolíticos e incertezas sobre juros.
A queda do petróleo foi um dos principais fatores de melhora nesta segunda-feira, mas mudanças no cenário do Oriente Médio podem provocar nova volatilidade.
O mesmo vale para os juros americanos. Mesmo com a queda dos rendimentos dos Treasuries no pregão, o nível das taxas continua sendo acompanhado de perto pelos investidores internacionais.
Conclusão
O Ibovespa subiu 0,74% nesta segunda-feira (21), aos 186.595,60 pontos, acompanhando a melhora do ambiente externo e o recuo dos preços do petróleo.
O dólar acompanhou o movimento e caiu 0,70%, para R$ 5,10, enquanto as bolsas de Nova York encerraram o pregão em alta.
No Brasil, o destaque ficou para o Boletim Focus, que reduziu de 13,75% para 13,50% a projeção para a Selic no fim de 2026, ao mesmo tempo em que elevou de 4,90% para 4,92% a estimativa para o IPCA.
Para os próximos pregões, petróleo, inflação, juros futuros e comportamento dos Treasuries devem continuar entre os principais indicadores para avaliar se o alívio observado nesta segunda-feira terá continuidade.
Fonte: B3, Banco Central do Brasil e dados de mercado.


