Ibovespa fecha 10ª queda seguida e encerra pregão em 166,8 mil pontos
Bolsa brasileira recua 0,09% em sessão marcada por tensão no Oriente Médio, petróleo em alta e pressão sobre ações de bancos; IBC-Br também aponta desaceleração da atividade.
O Ibovespa B3 encerrou a segunda-feira (17) em baixa de 0,09%, aos 166.783,57 pontos, mantendo o desempenho negativo em agosto. Apesar da variação próxima da estabilidade, o resultado teve um significado importante para o mercado: foi a 10ª sessão consecutiva de queda do principal índice da Bolsa brasileira, na maior sequência de perdas desde as 13 baixas registradas entre 1º e 17 de agosto de 2023.
O pregão foi marcado pela combinação de fatores externos e domésticos. No exterior, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a elevar a percepção de risco, enquanto o petróleo avançou mais de 2%.
No Brasil, o mercado também repercutiu o recuo de 0,6% do IBC-Br em junho, além da manutenção das principais projeções do mercado no Relatório Focus.
Ibovespa oscila mais de 1,5 mil pontos durante o pregão
A sessão teve forte oscilação intradiária.
O Ibovespa chegou à máxima de 168.006,60 pontos e atingiu mínima de 166.463,50 pontos, encerrando aos 166.783,57 pontos.
O volume financeiro informado pela B3 ficou em aproximadamente R$ 24,38 bilhões.
O movimento mostra que, apesar de o índice ter terminado praticamente estável, houve uma disputa relevante entre forças de compra e venda ao longo do pregão.
Petróleo sobe com tensão no Oriente Médio
O mercado internacional voltou a reagir às incertezas envolvendo Estados Unidos e Irã.
A situação do Estreito de Ormuz permaneceu no centro das preocupações, devido à importância da região para o transporte mundial de petróleo.
Com o aumento da percepção de risco, o petróleo voltou a subir. A valorização da commodity ajudou empresas ligadas ao setor de energia, mas, ao mesmo tempo, elevou a preocupação com possíveis efeitos sobre a inflação global.
Para o mercado brasileiro, esse movimento tem efeitos distintos.
Produtoras de petróleo podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, enquanto combustíveis mais caros podem pressionar custos de transporte, produção e inflação.
Bancos também pressionam o índice
A queda do Ibovespa não foi explicada apenas pelo cenário geopolítico.
As ações de bancos também contribuíram para limitar o desempenho do índice, em meio a preocupações relacionadas ao cenário de crédito no país.
Entre as maiores baixas do pregão estavam:
| Ação | Variação | Fechamento |
|---|---|---|
| SUZB3 | -3,45% | R$ 40,58 |
| CSAN3 | -2,72% | R$ 3,22 |
| HYPE3 | -2,46% | R$ 20,98 |
| BBAS3 | -2,34% | R$ 17,95 |
| HAPV3 | -2,23% | R$ 6,58 |
A queda de BBAS3, por exemplo, ajudou a evidenciar a pressão sobre o segmento financeiro durante a sessão.
Magazine Luiza lidera as altas
Na ponta positiva, Magazine Luiza (MGLU3) teve a maior valorização entre os papéis destacados, com alta de 8,18%, para R$ 4,23.
O movimento ocorreu em meio às repercussões sobre a situação da concorrente Casas Bahia, que havia anunciado pedido de recuperação judicial e prejuízo bilionário no segundo trimestre.
Outras ações que se destacaram foram:
| Ação | Variação | Fechamento |
|---|---|---|
| MGLU3 | +8,18% | R$ 4,23 |
| BEEF3 | +5,94% | R$ 3,39 |
| BRKM5 | +5,48% | R$ 5,20 |
| PRIO3 | +5,03% | R$ 61,58 |
| UGPA3 | +4,80% | R$ 33,82 |
O desempenho mostra que a sessão não foi uniforme entre os setores. Enquanto algumas empresas foram pressionadas, papéis ligados a commodities e determinadas companhias domésticas encontraram espaço para alta.
IBC-Br recua e coloca atividade econômica no radar
No ambiente doméstico, o IBC-Br recuou 0,6% em junho, na comparação com maio, considerando os dados dessazonalizados.
No acumulado de 12 meses até junho, entretanto, o indicador registrava alta de 1,5%.
O resultado trouxe novamente para o centro das discussões a possibilidade de desaceleração da atividade econômica brasileira.
O IBC-Br é acompanhado pelo mercado por funcionar como uma referência antecedente para o desempenho do PIB. Por isso, uma sequência de resultados mais fracos pode influenciar as expectativas para crescimento e juros.
Focus mantém projeções
O Relatório Focus divulgado na mesma segunda-feira manteve estáveis as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos acompanhados na pesquisa.
A estabilidade das projeções indicou, naquele momento, ausência de uma revisão generalizada nas expectativas para inflação, Selic, crescimento econômico e câmbio.
Para os investidores, entretanto, o comportamento futuro dessas projeções continua dependente da combinação entre atividade econômica, inflação, política fiscal e cenário internacional.
Dólar sobe mesmo com cenário de juros americanos
O dólar comercial terminou o pregão em R$ 5,21, com alta de 0,52%.
O movimento ocorreu apesar da percepção de redução das chances de uma nova alta de juros pelo Federal Reserve.
O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, avaliou que a fraqueza global da moeda americana e a revisão das expectativas sobre o Fed ajudavam o real, embora o câmbio tenha terminado o dia em alta.
Essa aparente divergência mostra como o mercado de câmbio responde simultaneamente ao dólar no exterior, aos riscos geopolíticos e às condições domésticas.
Wall Street também termina no vermelho
A cautela não ficou restrita à Bolsa brasileira.
Em Nova York, os principais índices encerraram o pregão em baixa:
Dow Jones: -0,48%
S&P 500: -0,52%
Nasdaq: -0,31%
O movimento refletiu a maior aversão ao risco diante da escalada das tensões no Oriente Médio.
O que explica a sequência de quedas do Ibovespa?
A sequência de dez pregões negativos precisa ser analisada além do resultado de uma única sessão.
O mercado vinha convivendo com uma combinação de juros elevados, preocupações fiscais, incertezas eleitorais, saída de recursos estrangeiros e riscos geopolíticos. Na semana anterior, o índice já havia acumulado queda de 3,23%.
No pregão de 17 de agosto, o petróleo e as tensões internacionais acrescentaram uma nova camada de incerteza.
Ao mesmo tempo, o recuo do IBC-Br mostrou que a atividade econômica também começava a exigir maior atenção.
O que o investidor precisa acompanhar
Para os próximos pregões, alguns fatores permanecem especialmente relevantes:
Petróleo: novas oscilações podem afetar Petrobras, produtoras independentes e expectativas de inflação.
Atividade econômica: novos indicadores ajudarão a determinar se o recuo do IBC-Br representa apenas uma oscilação mensal ou sinaliza uma desaceleração mais ampla.
Juros nos Estados Unidos: mudanças nas expectativas para o Federal Reserve podem alterar o fluxo de capital para mercados emergentes.
Crédito e bancos: resultados corporativos e indicadores de inadimplência podem influenciar o desempenho do setor financeiro.
Cenário fiscal e juros domésticos: continuam sendo fatores importantes para a precificação das ações brasileiras.
Mercado entra em uma semana de decisões importantes
O fechamento de 17 de agosto deixou uma fotografia clara de um mercado dividido entre fatores domésticos e externos.
O Ibovespa terminou praticamente estável, mas acumulou a décima queda consecutiva. O petróleo avançou com as tensões no Oriente Médio, enquanto o IBC-Br apontou retração da atividade em junho.
Ao mesmo tempo, o Focus não apresentou mudança nas principais expectativas e os mercados americanos também terminaram o dia em baixa.
O resultado é um ambiente em que pequenas mudanças nas expectativas sobre juros, inflação, petróleo ou atividade podem produzir movimentos relevantes nos preços dos ativos.
Para o investidor, mais do que observar apenas a direção do Ibovespa, o ponto central é acompanhar como esses fatores se combinam nos próximos pregões.
Fonte: B3, Banco Central do Brasil e Reuters.


