Debate presidencial reúne Zema, Cury e Samara em São Paulo após ausência de quatro candidatos
Encontro promovido pelo Metrópoles, Inteligência Ltda. e G4 teve participação de três presidenciáveis e colocou economia, Bolsa Família, privatizações e STF no centro das discussões
O debate presidencial realizado nesta sexta-feira (18), em São Paulo, reuniu Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) e acabou marcado pela ausência de outros quatro candidatos convidados.
Promovido pelo Metrópoles, pelo podcast Inteligência Ltda. e pelo G4, o encontro estava previsto para contar também com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Com apenas três participantes, a dinâmica ficou concentrada no confronto direto entre propostas econômicas, sociais e institucionais.
A agenda do debate incluiu temas como dívida pública, Bolsa Família, privatizações, relações comerciais com a China, Brics, educação, jornada de trabalho e funcionamento do Supremo Tribunal Federal.
Zema defende privatizações e questiona permanência do Brasil nos Brics
Na área econômica, Romeu Zema voltou a defender a privatização de empresas e bancos estatais.
O candidato utilizou o caso envolvendo o BRB e o Banco Master para sustentar sua posição de que instituições públicas estariam mais expostas à influência política. A proposta foi apresentada por Zema como parte de uma agenda mais ampla de redução da participação estatal na economia.
Zema também defendeu uma mudança na política comercial brasileira em relação à China e afirmou ser favorável à saída do Brasil dos Brics.
Durante o debate, o candidato argumentou que o país deveria ampliar a utilização de outros blocos e acordos comerciais, citando o Mercosul.
As propostas fazem parte de sua visão sobre comércio exterior e participação do Estado na economia e foram apresentadas durante o confronto entre os três candidatos.
Samara Martins propõe aumento do salário mínimo e mudanças na jornada
Samara Martins, candidata da Unidade Popular, apresentou uma agenda econômica com maior participação do Estado e ampliação de políticas sociais.
Entre as propostas apresentadas, ela defendeu aumento de 100% do salário mínimo, redução da jornada de trabalho e mudanças na escala 6×1.
A candidata também criticou o peso dos juros sobre as contas públicas e defendeu a revisão do pagamento da dívida pública.
Ao tratar do Bolsa Família, Samara defendeu a manutenção e ampliação do programa e afirmou que o principal problema fiscal estaria relacionado ao que chamou de “bolsa-banqueiro”, expressão utilizada para criticar o volume de recursos destinado ao pagamento de juros.
Cury critica reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo
O candidato Augusto Cury também abordou o Bolsa Família, mas por uma perspectiva diferente.
Cury criticou o reajuste anunciado pelo governo federal na quinta-feira (17), a poucos dias do primeiro turno, e afirmou que a medida teria caráter eleitoral.
O candidato disse que o programa é importante, mas questionou o momento escolhido para o aumento e acusou Lula de utilizar a situação econômica de beneficiários em benefício eleitoral.
A crítica foi apresentada como posicionamento de campanha de Cury e integra sua avaliação sobre a política social do governo.
Educação entra no debate sobre papel do Estado
A educação também ocupou espaço importante no encontro.
Samara Martins defendeu o aumento de investimentos em educação, universidades, pesquisa e tecnologia. A candidata afirmou que conhecimentos e patentes desenvolvidos em instituições públicas deveriam gerar benefícios para a sociedade.
Ela também se posicionou contra parcerias público-privadas na educação, argumentando que o setor deve ser tratado como direito e não como mercadoria.
O tema colocou em discussão duas visões diferentes sobre o financiamento e a gestão dos serviços públicos.
Cury propõe semipresidencialismo
Augusto Cury apresentou ainda uma proposta de mudança no sistema político brasileiro.
O candidato defendeu a substituição do presidencialismo pelo semipresidencialismo, modelo no qual o presidente manteria atribuições estratégicas enquanto um primeiro-ministro ficaria responsável pela condução cotidiana do governo.
A proposta também foi acompanhada por críticas à estrutura atual de funcionamento dos Poderes.
STF e Banco Master entram no centro do confronto
O Supremo Tribunal Federal apareceu entre os temas mais sensíveis do debate.
Romeu Zema fez críticas à atuação da Corte e classificou o STF como um “balcão de negócios”, expressão utilizada pelo candidato durante o evento.
Cury também criticou o Supremo ao abordar o caso envolvendo o Banco Master e mencionou Lula e Flávio Bolsonaro em suas declarações sobre o episódio.
As manifestações refletem posições políticas dos candidatos sobre a atuação do Judiciário e não representam, por si só, conclusões judiciais sobre eventuais irregularidades.
Um debate reduzido a três candidatos
A ausência dos demais convidados alterou significativamente o formato do encontro.
Com somente três candidatos no palco, houve mais espaço para que Zema, Cury e Samara apresentassem propostas e respondessem diretamente uns aos outros.
O encontro também ocorreu em um momento de campanha no qual os temas econômicos e a crise institucional envolvendo o STF ganharam espaço no debate público.
O formato escolhido pelos organizadores — combinando características de debate e podcast — buscou ampliar o tempo destinado às respostas e ao confronto de ideias. O evento havia sido anunciado como um debate presidencial em formato de podcast.
As principais propostas apresentadas
| Tema | Romeu Zema | Augusto Cury | Samara Martins |
|---|---|---|---|
| Economia | Privatizações e redução da participação estatal | Críticas ao modelo econômico e propostas institucionais | Ampliação de políticas sociais e revisão do pagamento da dívida |
| Empresas estatais | Defende privatizações | — | — |
| Salário mínimo | — | — | Propõe aumento de 100% |
| Jornada de trabalho | — | — | Defende redução e mudanças na escala 6×1 |
| Bolsa Família | Defendeu manutenção, com críticas ao reajuste recente | Criticou o momento do reajuste | Defendeu manutenção e ampliação |
| Comércio exterior | Defende saída dos Brics e menor dependência da China | — | — |
| Educação | — | — | Defende mais recursos para educação, pesquisa e tecnologia |
| Sistema político | — | Defende semipresidencialismo | — |
| STF | Criticou atuação da Corte | Defendeu mudanças no funcionamento do STF | — |
Debate expõe diferenças sobre o papel do Estado
Embora os três candidatos tenham tratado de temas semelhantes, as propostas apresentadas partiram de diagnósticos diferentes sobre o papel do Estado na economia.
Zema concentrou parte de sua participação na defesa de privatizações, menor presença estatal e mudanças na política comercial.
Samara apresentou propostas voltadas à ampliação de direitos trabalhistas, políticas sociais e investimento público em educação e tecnologia.
Cury direcionou parte de seu discurso para mudanças institucionais, críticas ao governo e defesa de uma alteração no sistema de governo.
A diversidade de propostas colocou no centro do debate uma questão recorrente nas eleições: qual deve ser o tamanho e a função do Estado na economia e na prestação de serviços públicos?
O que o eleitor deve observar
O debate apresentou propostas com impactos potenciais muito diferentes sobre as contas públicas, o mercado de trabalho, empresas estatais e programas sociais.
Para analisar cada proposta, é importante considerar não apenas seu objetivo, mas também como seria financiada, quais mudanças legais seriam necessárias e quais seriam seus efeitos sobre orçamento, investimentos e serviços públicos.
Esse tipo de análise é especialmente relevante para propostas que envolvem alterações expressivas no salário mínimo, jornada de trabalho, dívida pública, privatizações ou estrutura de governo.
Conclusão
O debate presidencial realizado em São Paulo reuniu Romeu Zema, Augusto Cury e Samara Martins e teve como característica central a ausência de outros quatro candidatos convidados.
Mesmo com o número reduzido de participantes, o encontro colocou em evidência temas importantes da eleição de 2026, incluindo economia, dívida pública, Bolsa Família, privatizações, relações com a China, Brics, educação, sistema político e STF.
As propostas apresentadas revelaram diferentes concepções sobre o papel do Estado, a condução da economia e a organização das instituições brasileiras. O debate também reforçou a importância de avaliar, além dos discursos, os mecanismos necessários para implementar cada proposta e seus possíveis efeitos sobre as contas públicas e a sociedade.
Fonte: informações do debate realizado em 18 de setembro de 2026 e registros dos organizadores e veículos de imprensa.


