Terremoto na Colômbia pode gerar perdas de US$ 9,6 bilhões, estima governo
Presidente Abelardo de la Espriella afirma que danos físicos diretos podem chegar a 30 trilhões de pesos; estimativa ainda será revisada conforme avança o levantamento dos estragos.
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia em 10 de agosto deixou uma conta econômica preliminar estimada em cerca de 30 trilhões de pesos colombianos, aproximadamente US$ 9,6 bilhões.
A estimativa foi apresentada pelo presidente Abelardo de la Espriella em 17 de agosto, com base em um modelo elaborado por uma empresa privada. Segundo o governo colombiano, o cálculo considera perdas físicas diretas em cinco departamentos atingidos pelo terremoto.
O valor ainda não é definitivo. O próprio presidente afirmou que a estimativa deverá ser atualizada à medida que novas informações forem coletadas e os danos forem avaliados individualmente nas regiões afetadas.
Maior parte dos prejuízos está em edificações
Do total estimado, aproximadamente 24,5 trilhões de pesos correspondem a danos em edificações.
Outros 5,5 trilhões de pesos estão relacionados à infraestrutura.
O cálculo inclui áreas atingidas nos departamentos de Chocó, Valle del Cauca, Risaralda, Quindío e Caldas. O terremoto provocou danos em moradias, edifícios, escolas, unidades de saúde, estradas e outras estruturas essenciais.
A dimensão da destruição também significa que a recuperação deverá envolver não apenas recursos para reconstrução de imóveis, mas investimentos em infraestrutura pública e serviços essenciais.
Cali e Pereira estão entre as cidades mais afetadas
O terremoto teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, e seus efeitos alcançaram uma extensa área do oeste colombiano.
Cidades como Cali e Pereira registraram danos significativos, enquanto a área afetada se estendeu até regiões próximas ao litoral do Pacífico.
Em 17 de agosto, a Presidência informou que 450 municípios em 15 departamentos haviam registrado algum tipo de impacto. O governo contabilizava naquele momento 289 mortos, 4.187 feridos e 143 desaparecidos.
Os números, entretanto, continuavam sujeitos a alterações.
Número de vítimas ainda estava sendo atualizado
O balanço humano da tragédia sofreu mudanças ao longo dos dias seguintes ao terremoto.
Em 16 de agosto, a Presidência havia informado 289 mortos, 4.187 feridos e 143 desaparecidos, além de mais de 186 mil pessoas afetadas.
Dois dias depois, novos levantamentos oficiais já apontavam 314 mortos, 4.437 feridos e 262 desaparecidos, demonstrando que o levantamento das vítimas e dos danos permanecia em andamento.
A diferença entre os balanços reforça a necessidade de tratar os números como registros de uma emergência ainda em atualização.
Governo decreta emergência econômica
Diante da dimensão dos danos, o governo de De la Espriella anunciou a adoção de uma Emergência Econômica para enfrentar as consequências do terremoto.
A medida foi apresentada pelo presidente como necessária para acelerar a mobilização de recursos destinados à emergência e à reconstrução.
Segundo De la Espriella, a situação fiscal da Colômbia limita a capacidade do governo de responder à tragédia apenas com instrumentos orçamentários convencionais.
O governo também passou a discutir medidas específicas para habitação, infraestrutura e atendimento às famílias atingidas.
Reconstrução deve pressionar as contas públicas
O tamanho estimado dos prejuízos coloca a reconstrução diante de um desafio financeiro significativo.
Os 30 trilhões de pesos calculados até agora representam apenas uma estimativa das perdas físicas diretas. O custo final para recuperar cidades, estradas, escolas, hospitais, redes de água e outros serviços poderá ser diferente.
Também é importante separar perdas econômicas de gastos públicos de reconstrução.
Uma estimativa de danos mede o valor dos ativos destruídos ou danificados. O governo, por outro lado, precisará definir quanto efetivamente será necessário gastar para reconstruir ou substituir essas estruturas e quais recursos virão do orçamento, de seguros, de financiamentos ou de outras fontes.
Terremoto ocorre no início do novo governo
A tragédia também se tornou o primeiro grande desafio enfrentado pelo governo de Abelardo de la Espriella, que havia assumido a Presidência poucos dias antes do terremoto.
A administração passou a lidar simultaneamente com as operações de busca e resgate, atendimento às famílias, levantamento dos prejuízos e planejamento da reconstrução.
Em 19 de agosto, o governo informou danos em 30.664 residências destruídas e 136.946 danificadas, além de 302 edifícios colapsados, 3.470 centros educacionais e 352 centros de saúde afetados. Também foram registradas ocorrências em estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e aeroportos.
Esses números ajudam a dimensionar por que a recuperação deve exigir recursos durante um período prolongado.
Impacto econômico vai além dos imóveis destruídos
O efeito econômico do terremoto não se limita ao valor das edificações e da infraestrutura danificadas.
A paralisação de empresas, interrupções logísticas, perda de renda das famílias, redução da atividade comercial e necessidade de deslocamento de trabalhadores também podem afetar a economia regional.
Áreas produtoras e corredores logísticos atingidos podem enfrentar dificuldades para retomar suas atividades, enquanto empresas precisam lidar com interrupções de produção e danos às instalações.
Por isso, a estimativa de 30 trilhões de pesos deve ser entendida como uma primeira fotografia dos danos físicos, e não como a conta econômica completa da tragédia.
Reconstrução será o próximo grande desafio
O terremoto colocou o governo colombiano diante de uma operação que deverá se estender muito além da fase emergencial.
Primeiro, a prioridade é localizar desaparecidos, atender feridos e garantir abrigo e assistência às famílias afetadas.
Depois, o desafio passa para a reconstrução de moradias e da infraestrutura.
Em paralelo, será necessário definir como financiar esse processo em um cenário fiscal que o próprio governo classifica como difícil.
Uma conta que ainda pode mudar
A estimativa de 30 trilhões de pesos, ou cerca de US$ 9,6 bilhões, representa um dos primeiros cálculos da dimensão econômica do terremoto colombiano.
O número impressiona pela escala, mas ainda não deve ser tratado como o custo definitivo da tragédia.
A própria Presidência informou que os levantamentos continuavam sendo atualizados e que novas avaliações poderiam modificar os valores.
Para a economia colombiana, o desafio agora será transformar a resposta emergencial em um plano de reconstrução capaz de recuperar moradias, infraestrutura, serviços públicos e a atividade econômica das regiões atingidas.
Fontes: Presidência da Colômbia, UNGRD, Reuters e EFE.


