Celina Leão nega envolvimento em negociação do BRB com Banco Master e contesta mensagens de Vorcaro
Governadora do DF afirma que era contrária à operação antes de ela se tornar pública e diz que diálogos divulgados pela investigação foram apresentados fora de contexto
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta terça-feira (15) que era contrária à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) antes mesmo de a operação se tornar pública. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master, nas quais ele afirma que Celina “não ficou de fora” das negociações.
Celina também negou ter mantido qualquer contato direto com Vorcaro e afirmou que seu nome foi inserido nas conversas de maneira que, segundo ela, produz uma interpretação diferente do que efetivamente ocorreu.
As mensagens foram divulgadas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de documentos da investigação da Polícia Federal. O conteúdo foi inicialmente divulgado pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmado pelo Poder360.
A controvérsia ocorre em meio às investigações sobre as operações envolvendo o Banco Master e o BRB, que já provocaram uma crise financeira e institucional no banco controlado pelo Distrito Federal.
Celina diz que era contra a operação antes de ela se tornar pública
Ao responder à divulgação das mensagens, Celina afirmou que sua posição contrária à aquisição do Master pelo BRB era anterior à repercussão pública do negócio.
“Seis meses antes de qualquer tipo de operação, eu já era contrária”, afirmou a governadora.
Segundo Celina, os próprios diálogos divulgados pela investigação não demonstrariam que ela tenha participado diretamente das tratativas. Na avaliação da governadora, as mensagens mostram uma conversa entre Vorcaro e um terceiro sobre sua posição política diante da negociação.
Celina também declarou que nunca teve contato com Vorcaro.
A governadora afirmou que o empresário não teria seu número de telefone e que não existiriam mensagens trocadas diretamente entre os dois.
O que dizem as mensagens encontradas pela investigação
As mensagens em questão foram trocadas em 5 de abril de 2025, quando Ibaneis Rocha (MDB) ocupava o cargo de governador do Distrito Federal e Celina Leão era vice-governadora.
Naquele momento, as negociações entre BRB e Banco Master estavam em andamento.
Segundo o material divulgado, o empresário Thiago Miranda encaminhou a Daniel Vorcaro uma reportagem sobre a posição pública de Celina a respeito da operação.
Na conversa, Miranda afirmou que conhecia Celina e avaliou que ela estaria tentando ganhar espaço político porque teria ficado fora da negociação.
Vorcaro respondeu discordando dessa interpretação. Segundo o conteúdo divulgado, ele afirmou que Celina não teria ficado de fora e atribuiu a posição dela a uma estratégia de preservação política.
O diálogo, portanto, registra a interpretação dos participantes da conversa sobre a posição de Celina, mas não constitui, por si só, uma comprovação independente de que ela tenha participado diretamente das negociações.
Essa distinção é relevante porque a governadora nega ter participado das tratativas e afirma que era contrária à operação.
Governadora afirma que mensagens foram tiradas de contexto
Celina argumenta que a divulgação isolada dos trechos produz uma narrativa diferente daquela que, segundo ela, pode ser extraída do diálogo completo.
A governadora afirmou que as mensagens demonstrariam uma discussão sobre como reagir à posição pública dela e sustentou que teria havido uma tentativa de atacá-la politicamente.
Essa é uma interpretação apresentada pela própria governadora sobre o conteúdo das mensagens e não uma conclusão estabelecida pela investigação ou pelo Supremo.
A defesa de Thiago Miranda também questionou a interpretação dos diálogos. Segundo os advogados, as mensagens são recortes de conversas privadas e, analisadas isoladamente, poderiam produzir conclusões diferentes do contexto completo.
A defesa de Daniel Vorcaro foi procurada para comentar as declarações de Celina, mas não havia apresentado manifestação até a publicação da reportagem de referência.
BRB e Master: operação foi barrada pelo Banco Central
A discussão sobre a participação de Celina ocorre dentro de um caso de maior dimensão envolvendo o BRB e o Banco Master.
A tentativa de aquisição do Master pelo banco do Distrito Federal acabou não sendo autorizada pelo Banco Central.
Apesar de a operação de compra não ter sido concluída, o BRB realizou operações envolvendo ativos e créditos originados do conglomerado Master.
As investigações passaram a questionar a existência e a qualidade de parte dessas carteiras. O caso resultou em uma investigação da Polícia Federal e em medidas judiciais envolvendo executivos e pessoas ligadas ao grupo de Vorcaro.
A dimensão financeira do problema também aumentou a pressão sobre o BRB.
Em setembro, o governo do Distrito Federal passou a buscar uma operação de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com discussão sobre a possibilidade de participação da União como garantidora.
Crise financeira amplia pressão sobre a governadora
A crise do BRB transformou o caso Master em uma questão que ultrapassa o âmbito bancário e passou a ter consequências políticas no Distrito Federal.
O governo local tem buscado alternativas para reforçar a estrutura financeira do banco, enquanto o STF analisa questões relacionadas às garantias e à situação da instituição.
Em setembro, o ministro Luiz Fux determinou que o governo federal, o Banco Central e o FGC se manifestassem sobre o pedido de socorro financeiro apresentado pelo Distrito Federal.
O cenário adiciona uma segunda dimensão à discussão sobre Celina: além da controvérsia sobre sua eventual participação nas tratativas de 2025, existe atualmente uma discussão sobre a responsabilidade política e administrativa pela situação financeira do BRB.
Celina ocupava a vice-governadoria durante as negociações
Outro ponto importante para compreender a cronologia é a posição ocupada por Celina Leão quando as mensagens foram trocadas.
Em abril de 2025, Ibaneis Rocha ainda era governador do Distrito Federal, enquanto Celina exercia a vice-governadoria.
A operação entre BRB e Master estava sendo discutida naquele período.
Celina afirma que tomou conhecimento das tratativas pela imprensa e que se posicionou contra a aquisição.
As mensagens agora divulgadas apresentam uma versão diferente sobre o grau de conhecimento que os interlocutores atribuíam à então vice-governadora. O conteúdo, contudo, não equivale automaticamente a uma prova conclusiva de participação formal de Celina na negociação.
Essa diferença entre menção em uma conversa privada, conhecimento de uma operação e participação efetiva em uma negociação será relevante para qualquer eventual apuração sobre responsabilidades.
Investigação também examina outras operações envolvendo o Master
O caso não está restrito à tentativa de aquisição pelo BRB.
A Polícia Federal investiga uma série de operações envolvendo o conglomerado Master e Daniel Vorcaro. Relatórios enviados ao STF também mencionam o acesso a informações sigilosas e outras ações atribuídas a pessoas ligadas ao grupo investigado.
A investigação reúne diferentes episódios, e a eventual responsabilidade de cada pessoa depende da análise individual das provas e das decisões judiciais correspondentes.
Por isso, a divulgação de mensagens privadas deve ser analisada dentro do conjunto documental da investigação, e não como comprovação isolada de uma determinada conduta.
O que está confirmado e o que permanece em discussão
O caso pode ser dividido em pontos já documentados e questões que continuam sob apuração.
Está documentado:
Celina Leão era vice-governadora do DF quando as mensagens foram trocadas;
havia tratativas para uma operação entre BRB e Banco Master;
mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro mencionam Celina;
o Banco Central não autorizou a aquisição do Master pelo BRB;
o BRB realizou operações envolvendo créditos do Master;
a Polícia Federal investiga as operações relacionadas ao conglomerado;
Celina nega participação nas negociações e afirma que era contrária à operação.
Permanece em discussão:
qual foi exatamente o grau de conhecimento de Celina sobre as negociações;
se ela participou direta ou indiretamente das tratativas;
qual o contexto completo das conversas divulgadas;
eventual responsabilidade individual de agentes públicos e privados;
quais serão as consequências jurídicas e administrativas das investigações.
Caso Master ganhou dimensão política no Distrito Federal
A controvérsia ocorre em um momento de forte disputa política no Distrito Federal e de pressão sobre o BRB.
A situação financeira do banco e a busca por uma solução de capitalização colocaram o governo local diante de decisões que envolvem o sistema financeiro, o orçamento público e a relação entre o DF e a União.
O episódio também passou a ser explorado politicamente por diferentes grupos, com versões distintas sobre quem tinha conhecimento das operações e quem deve responder pelas consequências financeiras.
Para o leitor, a principal questão é separar as declarações políticas, as interpretações de mensagens e os fatos comprovados nos processos.
Conclusão
Celina Leão afirmou que era contrária à aquisição do Banco Master pelo BRB antes de a operação se tornar pública e negou qualquer contato direto com Daniel Vorcaro.
As mensagens divulgadas pela investigação mostram que Vorcaro, em uma conversa com Thiago Miranda, afirmou que Celina não teria ficado fora das negociações. O conteúdo, porém, registra a visão dos participantes daquela conversa e não estabelece, isoladamente, que a governadora tenha participado formalmente das tratativas.
A controvérsia deverá ser analisada no contexto mais amplo das investigações sobre o Banco Master e das operações realizadas pelo BRB. Enquanto isso, o governo do Distrito Federal busca alternativas para enfrentar a situação financeira do banco, incluindo uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC.
O caso permanece em investigação, e eventuais responsabilidades individuais dependerão da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.
Fonte: Poder360, Folha de S.Paulo e informações públicas relacionadas às investigações do caso Master.


