Tiago Társis declara inteligência artificial de R$ 0,01 ao TSE e chama atenção por patrimônio

Candidato ao Senado pelo AGIR declara IA avaliada em R$ 0,01 e chama atenção por dados patrimoniais

Tiago Társis, candidato ao Senado pelo Distrito Federal, declarou à Justiça Eleitoral um projeto de inteligência artificial avaliado em apenas R$ 0,01. Registro também inclui plataforma eleitoral e outros bens.

A declaração de bens de Tiago Társis Adaldo, candidato ao Senado pelo AGIR no Distrito Federal, chamou atenção durante o levantamento dos patrimônios apresentados pelos concorrentes às eleições de 2026. Entre os itens registrados está o projeto de uma inteligência artificial chamada T-IA GO, descrita como assistente pessoal e virtual, com valor declarado de R$ 0,01.

O registro eleitoral identifica o projeto como desenvolvimento e criação de inteligência artificial e assistente pessoal/virtual. A declaração informa ainda que a iniciativa está em desenvolvimento e associa o projeto ao pedido de registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), sob o número 944750303.

A informação ganhou destaque porque o valor atribuído ao ativo tecnológico é simbólico diante da própria natureza do projeto. A declaração, entretanto, representa o valor informado pelo candidato à Justiça Eleitoral e não uma avaliação independente do potencial comercial da tecnologia.

Projeto de IA está relacionado a pedido no INPI

O projeto T-IA GO também aparece associado à base de informações sobre propriedade intelectual consultada na apuração. A existência de um pedido ou registro no INPI, porém, não significa necessariamente que a tecnologia tenha alcançado determinado valor de mercado.

Na declaração eleitoral, Társis descreve a iniciativa como um projeto em curso e estabelece o valor estimado para 2026 em R$ 0,01.

Esse tipo de informação precisa ser interpretado dentro das regras da declaração de bens: o valor informado pelo candidato é utilizado para fins eleitorais e não corresponde automaticamente ao preço pelo qual um ativo poderia ser vendido no mercado.

Plataforma eleitoral também aparece na declaração

Outro item relacionado à atividade empresarial e tecnológica de Társis é a plataforma Cola Eleitoral 2026, vinculada ao INPI sob o número 944790631.

Nas bases que reproduzem os dados eleitorais, a plataforma aparece declarada como direito de autor, inventor e patente, com valor de R$ 15 mil. A descrição informa uma previsão de faturamento entre R$ 15 mil e R$ 1,5 milhão.

Uma reportagem publicada anteriormente pelo Valor informou que o candidato havia mencionado uma previsão de faturamento de R$ 1,5 quatrilhão e que, posteriormente, teria atribuído o número a um erro de digitação. Na mesma apuração, o candidato teria informado que pediria a correção do dado.

Há divergência nos números patrimoniais divulgados

Um dos pontos que exigem maior atenção jornalística é o patrimônio total atribuído ao candidato.

A reportagem original mencionou um valor extremamente elevado para o patrimônio de Társis. Entretanto, bases que reproduzem os dados mais recentes disponibilizados pelo TSE apresentam um quadro diferente.

Na consulta atualizada da declaração, o patrimônio total aparece em aproximadamente R$ 856,1 mil. A composição inclui dinheiro em espécie, aplicações, veículos, terreno, criptomoedas, participação empresarial, saldos bancários e os direitos relacionados às duas plataformas.

Principais bens declarados

Bem declaradoValor
Dinheiro em espécieR$ 270.000,00
Caderneta de poupançaR$ 220.025,18
Terreno/chácara não escrituradaR$ 98.600,00
Chevrolet Spin 1.8, 2021R$ 82.000,00
CriptomoedasR$ 60.000,00
Participação na empresa PECPEMR$ 45.000,00
Poupança POUPEXR$ 24.853,96
Fiat Strada 2012R$ 22.000,00
Conta corrente BRBR$ 15.938,50
Cola Eleitoral 2026R$ 15.000,00
Conta corrente BBR$ 1.445,07
Poupança CaixaR$ 1.283,30
T-IA GOR$ 0,01

Os valores acima correspondem aos dados reproduzidos da declaração apresentada à Justiça Eleitoral. Eles não representam uma avaliação independente dos ativos e podem sofrer atualização conforme a base eleitoral seja alterada.

O que a declaração revela sobre os ativos digitais

O caso de Tiago Társis mostra uma particularidade cada vez mais presente nas eleições: candidatos podem declarar como patrimônio projetos digitais, direitos relacionados à propriedade intelectual e iniciativas tecnológicas ainda em desenvolvimento.

No caso da T-IA GO, o valor declarado de R$ 0,01 não significa necessariamente que a tecnologia tenha esse preço comercial. Trata-se do valor atribuído pelo próprio candidato na declaração apresentada à Justiça Eleitoral.

O mesmo raciocínio vale para a plataforma Cola Eleitoral 2026. Uma previsão de faturamento não representa receita efetivamente obtida, assim como o valor declarado de um direito de propriedade intelectual não equivale necessariamente ao seu valor econômico potencial.

Situação da candidatura

Tiago Társis concorre ao Senado pelo Distrito Federal pelo AGIR, com o número 360. A candidatura e os dados patrimoniais constam das bases que reproduzem as informações do registro eleitoral.

Uma das bases consultadas registra, entretanto, alteração recente na situação do registro, classificando a candidatura como “indeferido em prazo recursal ou com recurso”. Como a situação eleitoral pode mudar durante a tramitação de recursos, o status deve ser acompanhado diretamente nas atualizações da Justiça Eleitoral.

Por que o caso chama atenção

A declaração de Társis reúne três elementos que despertam interesse na análise eleitoral: um projeto de inteligência artificial avaliado em R$ 0,01, uma plataforma eleitoral associada a uma previsão de faturamento e uma divergência relevante entre valores patrimoniais reproduzidos em diferentes bases.

O ponto central, porém, é separar valor declarado, previsão de faturamento e patrimônio efetivamente registrado. Esses conceitos não são equivalentes e não devem ser tratados como se representassem a mesma informação financeira.

Para o eleitor, a declaração de bens funciona como uma fotografia patrimonial apresentada no momento do registro da candidatura. Ela permite conhecer os ativos informados, mas não constitui, por si só, uma auditoria independente sobre o valor econômico dos projetos ou sobre sua capacidade futura de gerar receita.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (dados eleitorais reproduzidos por bases públicas); informações atribuídas ao Valor Econômico e ao g1 na apuração sobre a declaração de bens.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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