Quaest: 58% dizem que Flávio Bolsonaro não tem força para convencer Trump sobre tarifas
Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho de 2026 mostra que a maioria dos brasileiros não acredita que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha influência suficiente para convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a rever as tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados disseram que Flávio não tem força para conseguir uma mudança na política comercial americana. Outros 34% avaliam que o senador teria capacidade de convencer Trump, enquanto 8% não souberam ou não responderam.
O resultado aparece em meio à disputa política entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes da oposição sobre as causas e os possíveis efeitos das medidas anunciadas pelos Estados Unidos.
Maioria não acredita na influência de Flávio sobre Trump
A pergunta feita pela Quaest avaliou diretamente se Flávio Bolsonaro teria força política para convencer Trump e o governo americano a voltar atrás nas tarifas contra produtos brasileiros.
Os resultados foram:
| Resposta | Percentual |
|---|---|
| Não tem força | 58% |
| Tem força | 34% |
| Não sabe/não respondeu | 8% |
O resultado indica uma percepção majoritariamente negativa sobre a capacidade do senador de influenciar uma decisão do governo americano.
57% não sabiam da viagem aos Estados Unidos
A pesquisa também perguntou aos entrevistados se eles tinham conhecimento de que Flávio Bolsonaro havia viajado aos Estados Unidos para tratar das tarifas.
57% disseram não saber da viagem, enquanto 43% afirmaram ter conhecimento.
O dado mostra que a movimentação internacional do senador ainda não era conhecida pela maioria dos entrevistados no período em que a pesquisa foi realizada.
Tarifaço favorece Lula na intenção de voto
A Quaest também investigou o possível efeito político das tarifas sobre a intenção de voto.
Quando perguntados sobre para quem o chamado tarifaço aumentaria a vontade de votar, 42% apontaram Lula, enquanto 27% escolheram Flávio Bolsonaro.
Outros 23% disseram que a medida aumentaria a disposição de votar em outro candidato e 8% não souberam ou não responderam.
Na pesquisa anterior, realizada em junho, Lula aparecia com 39% e Flávio com 30%.
| Candidato/opção | Julho | Junho |
|---|---|---|
| Lula | 42% | 39% |
| Flávio Bolsonaro | 27% | 30% |
| Outro candidato | 23% | 23% |
| Não sabe/não respondeu | 8% | 8% |
Os números mostram crescimento de três pontos para Lula e queda de três pontos para Flávio no período.
Eleitores ficam mais próximos da versão de Lula
A pesquisa também apresentou aos entrevistados as duas principais explicações políticas para as tarifas.
Lula afirma que as medidas representam uma retaliação relacionada ao Pix. Flávio Bolsonaro sustenta que as tarifas foram provocadas pelas declarações do presidente brasileiro contra os Estados Unidos.
No resultado geral, 49% disseram concordar mais com a explicação de Lula, enquanto 33% ficaram com a versão de Flávio.
Outros 10% não concordaram com nenhum dos dois e 8% não souberam ou não responderam.
| Explicação | Julho | Junho |
|---|---|---|
| Concorda com Lula | 49% | 46% |
| Concorda com Flávio | 33% | 36% |
| Nenhum dos dois | 10% | 10% |
| Não sabe/não respondeu | 8% | 8% |
Entre independentes, Lula também leva vantagem
O resultado é ainda mais relevante entre os eleitores que se identificam como independentes.
Nesse grupo, 44% concordaram com a explicação de Lula, segundo a qual as tarifas seriam uma retaliação relacionada ao Pix.
Já 24% concordaram com Flávio Bolsonaro e atribuíram as medidas às declarações de Lula contra os Estados Unidos.
Outros 17% não concordaram com nenhum dos dois, enquanto 15% não souberam ou não responderam.
Em junho, Lula tinha 39% entre os independentes, enquanto Flávio aparecia com 26%.
Apoio a Flávio diminui entre grupos da direita
A pesquisa também identificou redução da concordância com a versão de Flávio Bolsonaro entre segmentos da direita.
Entre eleitores classificados como direita não bolsonarista, 67% concordaram com Flávio, ante 75% em junho.
Entre os bolsonaristas, a concordância caiu de 87% para 82%.
Ao mesmo tempo, aumentou a parcela desses grupos que concordava com a explicação de Lula.
Na direita não bolsonarista, a concordância com Lula passou de 11% para 15%.
Entre os bolsonaristas, subiu de 1% para 4%.
Direita não bolsonarista
Flávio Bolsonaro: 67% — eram 75%
Lula: 15% — eram 11%
Bolsonaristas
Flávio Bolsonaro: 82% — eram 87%
Lula: 4% — era 1%
Pesquisa foi realizada antes da tarifa de 25%
Um detalhe é fundamental para interpretar os números: apesar de a pesquisa ter sido divulgada posteriormente, as entrevistas foram realizadas entre 10 e 13 de julho de 2026.
Naquele período, os Estados Unidos ainda não haviam confirmado a decisão de aplicar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada em 15 de julho.
Por isso, os resultados representam a percepção dos entrevistados antes da confirmação da medida.
Uma pesquisa realizada posteriormente poderia apresentar mudanças na opinião dos eleitores em razão dos efeitos econômicos e políticos da decisão americana.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de julho de 2026.
A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026.
O que os números revelam
Os dados mostram que, naquele momento, a maioria dos entrevistados não acreditava que Flávio Bolsonaro tivesse força suficiente para convencer Donald Trump a rever as tarifas.
O levantamento também indicou que o episódio tinha potencial de beneficiar mais Lula do que Flávio Bolsonaro na intenção de voto e que a explicação do presidente sobre as tarifas tinha maior aceitação entre os entrevistados.
Entre os independentes, a vantagem de Lula também apareceu de forma significativa.
Entretanto, como as entrevistas ocorreram antes da confirmação da tarifa de 25%, os números não devem ser tratados como uma fotografia da opinião pública após a decisão dos Estados Unidos.


