Fim das bets: veja o que muda com a medida provisória do governo
MP estabelece transição para encerrar apostas online, determina prazo para saque dos usuários e prevê novas regras contra operadores, publicidade e intermediários
O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma medida provisória que determina o encerramento das apostas online e dos cassinos virtuais no Brasil. A medida estabelece um período de transição para as plataformas, define regras para retirada dos valores mantidos pelos apostadores e amplia as medidas de fiscalização sobre operações consideradas ilegais.
A mudança ocorre menos de dois anos depois da regulamentação do mercado de apostas de quota fixa. Desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podiam operar nacionalmente dentro do modelo regulado.
Segundo o cronograma divulgado, as apostas esportivas e os jogos virtuais deverão deixar de funcionar a partir de 6 de outubro. Até lá, os usuários terão prazo para retirar os recursos mantidos nas plataformas.
A medida também atinge publicidade, meios de pagamento, operadores e outros agentes envolvidos na atividade.
O que o governo anunciou?
A principal mudança é o encerramento da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa abrangidas pela medida.
O pacote anunciado combina uma medida provisória, que produz efeitos imediatamente nos termos de sua publicação, com a preparação de um projeto de lei destinado a estabelecer punições criminais mais severas para determinadas atividades relacionadas às apostas.
Isso significa que é importante separar as duas medidas: a MP representa a mudança normativa imediata anunciada pelo Executivo, enquanto as novas penas criminais dependem da tramitação e eventual aprovação do projeto pelo Congresso.
Quando as bets deixam de funcionar?
O cronograma divulgado pelo governo estabelece:
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 25 de setembro | Publicação/anúncio da medida e início das novas restrições |
| Até 5 de outubro | Apostadores podem retirar seus recursos |
| 6 de outubro | Apostas esportivas e jogos virtuais deixam de ser permitidos |
| 7 e 8 de outubro | Empresas informam ao governo os saldos remanescentes por CPF |
| 9 a 14 de outubro | Devolução dos valores que permanecerem nas plataformas |
| A partir de 14 de outubro | Caixa poderá intermediar restituições em situações de dificuldade |
O cronograma foi divulgado pelo governo e reproduzido pela imprensa na apresentação da medida.
Tenho dinheiro em uma bet. O que devo fazer?
Pelas regras anunciadas, o apostador terá até 23h59 de 5 de outubro para solicitar o saque dos valores existentes na plataforma.
O governo determinou ainda que as empresas informem posteriormente os saldos que permanecerem vinculados aos CPFs dos usuários.
A previsão é de que esses recursos sejam devolvidos entre 9 e 14 de outubro. Caso existam dificuldades na restituição, a Caixa Econômica Federal poderá atuar como intermediária.
Por isso, quem possui saldo em uma plataforma deve guardar comprovantes de depósitos, saques, saldo disponível e demais registros da conta.
Os sites e aplicativos serão retirados do ar?
Sim. A partir de 6 de outubro, as plataformas abrangidas pela medida deverão deixar de operar.
O governo também pretende intensificar o bloqueio de sites que continuarem funcionando de forma irregular.
Esse movimento ocorre em paralelo a medidas que já vinham sendo adotadas contra o mercado ilegal. Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas publicou uma portaria ampliando procedimentos para identificar transações relacionadas a operadores irregulares e permitir o bloqueio de contas e interrupção de fluxos financeiros associados a essas atividades.
O que acontece com a publicidade das bets?
A publicidade também entra na transição.
Segundo as regras anunciadas, novas campanhas publicitárias ficam proibidas imediatamente, enquanto contratos já existentes poderão permanecer até 5 de outubro.
A mudança pode atingir diretamente veículos de comunicação, influenciadores, clubes de futebol, campeonatos e outras organizações que mantêm contratos comerciais com empresas de apostas.
Como o governo pretende combater as plataformas ilegais?
O governo pretende ampliar a fiscalização em três frentes principais:
bloqueio de sites e aplicativos irregulares;
monitoramento das movimentações financeiras;
compartilhamento de informações entre órgãos públicos.
Também estão previstas restrições a operações financeiras relacionadas a empresas ou atividades de apostas que passem a ser consideradas ilegais.
A estratégia aproveita instrumentos que já estavam sendo utilizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas para enfrentar operadores não autorizados.
O Ministério da Justiça também informou, em 24 de setembro, a remoção de 1.367 páginas e perfis utilizados para divulgação de plataformas irregulares — 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram.
Explorar bets poderá virar crime?
Essa é uma das mudanças previstas no projeto de lei que o governo pretende encaminhar ao Congresso.
A proposta prevê criminalizar determinadas atividades relacionadas à exploração de apostas online, mas as novas penas criminais ainda dependem da tramitação legislativa.
De acordo com a proposta divulgada, operadores e pessoas que explorem, ofereçam, registrem, intermedeiem ou administrem determinadas plataformas poderão ficar sujeitos a penas de quatro a seis anos de prisão, além de multa.
Para modalidades envolvendo cassinos virtuais, a proposta prevê agravamento da pena em determinadas situações.
Influenciadores poderão ser responsabilizados?
A proposta também prevê punições para determinadas formas de publicidade, promoção, marketing e captação de clientes para apostas.
A minuta divulgada pelo governo prevê penas de dois a quatro anos de prisão para determinadas condutas de promoção e publicidade.
Entretanto, o texto ainda depende do processo legislativo.
A proposta também prevê exceções para conteúdos jornalísticos, educativos, científicos, acadêmicos ou críticos, conforme o desenho apresentado pelo governo.
E bancos e empresas de tecnologia?
O pacote também pretende alcançar empresas que conscientemente facilitem a operação de plataformas ilegais.
Isso pode envolver:
processadores de pagamento;
instituições financeiras;
desenvolvedores de aplicativos;
intermediários;
empresas de tecnologia.
A intenção é atingir não apenas quem oferece diretamente a aposta, mas também estruturas que permitam o funcionamento financeiro e tecnológico de operações consideradas ilegais.
O que acontece com o dinheiro apreendido?
Segundo as informações apresentadas pelo governo, valores bloqueados em operações consideradas ilegais poderão ser destinados a ações de segurança pública, conforme as regras aplicáveis.
Esse ponto precisa ser diferenciado dos saldos legítimos dos apostadores, que possuem cronograma próprio de restituição.
Ou seja: o dinheiro que pertence ao usuário e permanece em uma plataforma não deve ser confundido com valores eventualmente apreendidos de operações ilegais.
O futebol será afetado?
O impacto sobre o futebol tende a ser um dos pontos mais relevantes da mudança econômica.
As empresas de apostas se tornaram importantes anunciantes e patrocinadoras de clubes, competições e propriedades esportivas.
Com o fim da atividade, contratos de patrocínio, publicidade e fornecimento de serviços relacionados ao setor poderão ser afetados.
Um exemplo da dimensão econômica desse impacto apareceu nas manifestações de dirigentes esportivos após o anúncio. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, estimou uma perda de até R$ 430 milhões para o clube com o fim dos contratos relacionados às bets. Trata-se de uma estimativa apresentada pelo próprio dirigente, e não de um cálculo oficial do governo.
Por que a mudança é relevante?
A decisão representa uma mudança significativa na política pública adotada para o setor.
O Brasil havia passado de um mercado predominantemente informal para um modelo de regulação e autorização federal, com regras para operadores, publicidade, pagamentos, proteção dos apostadores e fiscalização.
O Ministério da Fazenda informa que as apostas de quota fixa foram legalizadas no âmbito das apostas esportivas pela Lei 13.756/2018 e, posteriormente, regulamentadas também para jogos online pela Lei 14.790/2023. Desde 2025, apenas operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas podiam atuar nacionalmente.
A nova medida altera essa trajetória.
O que muda para o apostador?
Para o consumidor, os principais efeitos práticos são:
1. Prazo para sacar:
Os recursos deverão ser retirados até 5 de outubro.
2. Encerramento das plataformas:
A partir de 6 de outubro, as operações abrangidas pela medida deixam de ser permitidas.
3. Restituição de saldos:
Valores não retirados deverão seguir o cronograma estabelecido pelo governo.
4. Menos publicidade:
Novas campanhas ficam proibidas imediatamente.
5. Maior fiscalização financeira:
O governo pretende bloquear operações e fluxos financeiros relacionados ao mercado ilegal.
O que muda para as empresas?
Para as empresas autorizadas, o impacto é mais amplo.
Além do encerramento da atividade, elas terão de cumprir as obrigações de restituição de saldos e prestar informações ao governo sobre os valores remanescentes.
As empresas também poderão enfrentar disputas judiciais relacionadas a contratos, investimentos realizados durante o período de autorização e eventuais pedidos de indenização.
Representantes do setor já sinalizaram intenção de recorrer à Justiça. As alegações de insegurança jurídica e de investimentos realizados durante o período de regulamentação são posições das empresas e entidades do setor, não conclusões judiciais definitivas.
A medida pode ser contestada?
Sim.
Uma medida provisória tem efeitos jurídicos imediatos, mas permanece sujeita ao processo constitucional de apreciação pelo Congresso Nacional.
Além disso, empresas afetadas podem questionar a medida judicialmente.
Por isso, o cenário ainda poderá sofrer alterações antes que todas as consequências econômicas e jurídicas da decisão estejam consolidadas.
Análise da Análise Política 24H
A decisão do governo não representa apenas o encerramento de um segmento de entretenimento digital. Ela também modifica uma política regulatória construída nos últimos anos para transformar as apostas em uma atividade autorizada e fiscalizada.
O principal desafio daqui para frente será impedir que a proibição simplesmente desloque os usuários para plataformas clandestinas.
O próprio governo já vinha tratando o mercado ilegal como um problema regulatório. A Secretaria de Prêmios e Apostas havia ampliado os mecanismos de bloqueio financeiro e fiscalização antes do anúncio desta sexta-feira.
Também existe uma segunda questão: o impacto econômico sobre clubes, publicidade, mídia e empresas que construíram negócios em torno do mercado regulado.
Para os apostadores, o ponto mais imediato é outro: o prazo de 5 de outubro para retirada dos recursos.
Para o governo, o resultado da política dependerá da capacidade de executar o bloqueio das plataformas ilegais, garantir a restituição dos saldos e reduzir os efeitos econômicos negativos da transição.
E, no campo jurídico, será necessário acompanhar tanto eventuais ações judiciais contra a MP quanto a tramitação do projeto que pretende criar novos crimes e penas para atividades relacionadas às apostas.
Em resumo
Até 5 de outubro: saque dos valores pelos usuários.
A partir de 6 de outubro: encerramento das apostas e jogos virtuais abrangidos pela medida.
7 e 8 de outubro: empresas informam saldos remanescentes.
9 a 14 de outubro: restituição dos valores não sacados.
A partir de 14 de outubro: Caixa poderá intermediar casos de dificuldade na devolução.
Próxima etapa: Congresso deverá analisar as medidas legislativas e o projeto que prevê novas punições criminais.Fonte principal: InfoMoney.
Fontes oficiais: Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça e Segurança Públic
Fonte principal: InfoMoney.
Fontes oficiais: Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Fontes com link direto
- Fonte principal — InfoMoney: “Tem dinheiro em bets? Veja perguntas e respostas sobre a MP”
- Fonte complementar — InfoMoney: “Governo anuncia MP que proíbe bets no Brasil”
- Fonte oficial — Ministério da Fazenda: Apostas de Quota Fixa
- Fonte oficial — Ministério da Fazenda: medidas contra o mercado ilegal
- Fonte oficial — Ministério da Justiça: remoção de páginas e perfis de bets irregulares


