Senado aprova Redata com incentivos fiscais para datacenters

Senado aprova incentivos fiscais para datacenters com renúncia de R$ 5,2 bilhões

O Plenário do Senado Federal aprovou o projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), programa de incentivos fiscais destinado a estimular a instalação e a expansão de centros de processamento de dados no Brasil.

A proposta prevê a suspensão de determinados tributos federais na aquisição de equipamentos utilizados pelos datacenters. Segundo estimativa da Receita Federal, o programa terá um impacto fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026.

Como os senadores aprovaram o texto sem alterações de mérito em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados, em fevereiro, a proposta segue diretamente para sanção presidencial.

Redata busca ampliar infraestrutura digital

O programa foi criado para incentivar investimentos em infraestrutura de processamento e armazenamento de dados no país.

A medida ganha importância diante do crescimento acelerado de tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais, que exigem cada vez mais capacidade computacional.

A ideia é reduzir parte do custo de implantação dos grandes centros de processamento de dados e, ao mesmo tempo, exigir contrapartidas das empresas beneficiadas.

Quais impostos poderão ser suspensos?

O Redata prevê a suspensão de tributos federais na aquisição de componentes eletrônicos e produtos de tecnologia da informação e comunicação destinados ao ativo imobilizado dos datacenters.

Entre os tributos abrangidos estão:

  • PIS/Cofins;
  • PIS/Cofins-Importação;
  • IPI;
  • Imposto de Importação, em determinadas situações.

O benefício terá duração prevista de cinco anos. Entretanto, as suspensões relacionadas ao PIS/Cofins e ao IPI terão efeitos somente até o final de 2026, em razão da transição provocada pela reforma tributária.

Projeto terá impacto de R$ 7,25 bilhões até 2028

A Receita Federal estima que a renúncia fiscal provocada pelo programa será de:

AnoRenúncia fiscal estimada
2026R$ 5,2 bilhões
2027R$ 1 bilhão
2028R$ 1,05 bilhão
TotalR$ 7,25 bilhões

Os números colocam o custo fiscal do programa no centro do debate sobre a política de incentivos para o setor de tecnologia.

Empresas terão de cumprir contrapartidas

Para receber os benefícios tributários, as empresas não poderão apenas instalar ou ampliar seus datacenters. O projeto estabelece uma série de obrigações.

Uma das principais determinações é que pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados seja destinada ao mercado interno.

As empresas também deverão atender toda a demanda de energia elétrica dos empreendimentos por meio de fontes renováveis ou de baixa emissão, além de respeitar um limite de eficiência no consumo de água.

Investimentos em pesquisa e inovação

Outra exigência prevista no Redata envolve investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

As empresas beneficiárias deverão aplicar no Brasil o equivalente a 2% do valor dos bens adquiridos com os incentivos em projetos relacionados à economia digital.

Existe ainda a possibilidade de substituir a obrigação de disponibilizar 10% da capacidade ao mercado interno por um investimento adicional de 10% em pesquisa e inovação.

A intenção é fazer com que parte do benefício tributário retorne à economia na forma de desenvolvimento tecnológico e inovação.

Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão incentivos adicionais

O projeto prevê condições diferenciadas para empreendimentos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nesses casos, algumas contrapartidas poderão ter uma redução de 20%.

Além disso, pelo menos 40% dos recursos destinados a pesquisa e desenvolvimento gerados pelo programa deverão ser aplicados nessas regiões.

A medida busca estimular a descentralização dos investimentos em infraestrutura digital, evitando que a expansão dos datacenters fique concentrada principalmente nos grandes centros econômicos do país.

Senado rejeitou mudanças de mérito

Durante a análise no Senado, o relator, Cid Gomes (PSB-CE), informou que mais de 30 emendas haviam sido apresentadas.

No entanto, após discussões com o governo e com a Presidência do Senado, prevaleceu o entendimento de que alterações de mérito poderiam obrigar o projeto a retornar à Câmara, dificultando sua aprovação durante o esforço concentrado do Congresso.

Por esse motivo, as emendas de mérito foram rejeitadas e apenas ajustes considerados de redação foram incorporados.

Uma das mudanças substituiu a expressão “sem similar nacional” por “sem produção nacional equivalente” na definição dos equipamentos importados que poderão ter suspensão do Imposto de Importação.

Segundo o relator, a nova redação reduz possíveis interpretações divergentes e utiliza uma formulação considerada mais consolidada.

Programa começou como medida provisória

O Redata foi criado originalmente pela Medida Provisória 1.318/2025 e posteriormente passou a tramitar no Congresso na forma de projeto.

Com a aprovação do Senado sem alterações de mérito, o texto não precisará voltar para uma nova votação na Câmara dos Deputados.

O próximo passo será a análise da Presidência da República, que poderá sancionar ou vetar a proposta.

Custo fiscal gera críticas

Apesar da defesa do programa como instrumento para atrair investimentos e ampliar a infraestrutura digital brasileira, o Redata também enfrenta críticas de organizações da sociedade civil.

As entidades questionam principalmente o tamanho da renúncia fiscal e consideram que as salvaguardas ambientais e relacionadas à soberania digital poderiam ser mais rigorosas.

A preocupação está ligada ao elevado consumo de energia elétrica, água e território associado à construção e operação de grandes datacenters.

O desafio entre tecnologia e sustentabilidade

A aprovação do Redata ocorre em um momento em que a inteligência artificial aumenta rapidamente a demanda mundial por capacidade de processamento.

O Brasil possui potencial para atrair investimentos nesse setor, especialmente por sua disponibilidade de fontes renováveis de energia. Ao mesmo tempo, a expansão dos datacenters exige planejamento para evitar impactos ambientais e garantir que os benefícios econômicos permaneçam no país.

O grande desafio do programa será, portanto, equilibrar atração de investimentos, desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e responsabilidade fiscal.

Se o Redata conseguir cumprir esses objetivos, poderá ajudar o Brasil a ampliar sua infraestrutura digital e conquistar espaço em uma indústria estratégica para a economia mundial. Caso contrário, o país poderá enfrentar questionamentos sobre o custo dos incentivos diante dos benefícios efetivamente gerados.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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