Renan Filho anuncia Yale Fernandes como vice na disputa pelo governo de Alagoas
Escolha foi anunciada na reta final do prazo de registro; candidatura de Yale posteriormente passou a ser questionada pelo Ministério Público Eleitoral
O senador Renan Filho (MDB) anunciou, neste sábado (15), Yale Fernandes como candidato a vice-governador em sua chapa na disputa pelo governo de Alagoas. A escolha ocorreu na reta final do prazo para registro das candidaturas às eleições de 2026.
Yale substituiu Marina Lamenha, que havia sido inicialmente indicada para ocupar a vaga de vice na chapa do MDB. A candidatura de Yale foi apresentada à Justiça Eleitoral em 15 de agosto.
A definição ocorreu em um momento de intensa movimentação política em Alagoas, onde Renan Filho disputa o governo estadual e tem como um dos principais adversários o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC (PSDB).
Quem é Yale Fernandes
Yale Barbosa Fernandes integrava a administração municipal de Arapiraca, comandada pelo prefeito Luciano Barbosa, também do MDB.
Antes de ser escolhido para compor a chapa de Renan Filho, Yale ocupava cargos na estrutura da Prefeitura de Arapiraca. Segundo o MDB, ele deixou o cargo de secretário em 1º de abril e posteriormente foi exonerado de uma função de assessor técnico especial em 30 de junho.
A situação funcional de Yale, porém, tornou-se posteriormente objeto de questionamento na Justiça Eleitoral.
Ministério Público Eleitoral questiona candidatura do vice
Em 22 de agosto, o Ministério Público Eleitoral pediu ao TRE de Alagoas o indeferimento do registro de Yale Fernandes.
A Procuradoria alegou haver indícios de que o candidato não teria se afastado efetivamente de funções na Prefeitura de Arapiraca dentro dos prazos exigidos pela legislação eleitoral.
Segundo o MPE, embora documentos indiquem exonerações formais, Yale teria continuado a aparecer em atividades públicas como secretário após o afastamento informado.
A Procuradoria também apontou que ele passou a constar no Portal da Transparência como assessor técnico especial, com remuneração de R$ 11.800, e questionou se o desligamento dessa segunda função ocorreu dentro do prazo de desincompatibilização.
O Ministério Público ressalvou que referências públicas a Yale como “secretário” não comprovam, isoladamente, que ele continuasse exercendo o cargo. O argumento apresentado é que esses elementos, analisados em conjunto, justificariam a apuração sobre eventual afastamento de fato.
MDB contesta questionamentos e defende regularidade
O MDB de Alagoas afirmou que a candidatura de Yale Fernandes está regular.
Segundo o partido, as exonerações foram formalizadas por atos administrativos e ocorreram dentro dos prazos estabelecidos pela legislação eleitoral.
A legenda também afirmou que apresentará à Justiça Eleitoral os documentos que, na avaliação do partido, comprovam a regularidade da desincompatibilização.
O caso, portanto, passou a depender da análise da Justiça Eleitoral.
Renan Filho disputa governo em cenário competitivo
A escolha do vice ocorreu em uma disputa estadual acompanhada de perto pelo mercado político e pelos eleitores alagoanos.
Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 15 de setembro ouviu 1.600 eleitores entre os dias 10 e 14 e registrou Renan Filho com 46% das intenções de voto no primeiro turno, contra 43% de JHC. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o número AL-09248/2026.
Em um cenário de segundo turno medido pelo mesmo levantamento, Renan Filho aparece com 47% e JHC com 43%. Esses números representam o cenário encontrado pela pesquisa no período de coleta e não constituem previsão do resultado eleitoral.
Outra pesquisa, realizada pelo AtlasIntel entre 4 e 9 de setembro, apresentou números diferentes: JHC tinha 49,3% no primeiro turno, contra 46,4% de Renan Filho. No segundo turno, o levantamento registrou 49,9% para JHC e 46,7% para Renan Filho, com margem de erro de três pontos percentuais.
A diferença entre os levantamentos reforça a importância de observar metodologia, período de coleta e margem de erro antes de comparar pesquisas eleitorais.
Composição da chapa ocorre em momento de disputa política intensa
A escolha do vice também acontece em um cenário de forte confronto entre os grupos políticos que disputam o governo de Alagoas.
Renan Filho, que já governou o Estado, tenta retornar ao comando do Executivo estadual. JHC, por sua vez, deixou a Prefeitura de Maceió para disputar o governo.
Além da disputa estadual, a eleição em Alagoas envolve também duas vagas para o Senado. Levantamento Real Time divulgado em setembro mostrou Renan Calheiros, Marina JHC, Arthur Lira e Davi Davino Filho entre os nomes com maiores percentuais no levantamento para o Senado.
Caso Yale acrescenta uma questão jurídica à campanha
A escolha de Yale Fernandes deixou de ser apenas uma decisão política de composição de chapa e passou a envolver uma discussão sobre as regras de desincompatibilização eleitoral.
O ponto central da controvérsia é determinar se os afastamentos formais dos cargos ocupados na Prefeitura de Arapiraca também foram acompanhados de um afastamento efetivo das funções dentro dos prazos previstos.
O MDB sustenta que sim. O Ministério Público Eleitoral apresentou entendimento diferente e pediu que a Justiça examine os documentos e circunstâncias apontados na ação.
Até uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral, o questionamento não equivale, por si só, a uma conclusão de irregularidade ou à cassação da candidatura.
O que acontece agora?
A situação de Yale Fernandes deverá ser analisada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas.
A Justiça Eleitoral terá de avaliar os documentos relativos às exonerações, os registros funcionais e os demais elementos apresentados pelo Ministério Público e pela defesa.
O resultado dessa análise poderá definir a permanência de Yale na chapa de Renan Filho ou exigir uma nova solução para a composição da candidatura.
Os principais pontos do caso
| Ponto | Situação |
|---|---|
| Candidato ao governo | Renan Filho (MDB) |
| Vice anunciado | Yale Fernandes (MDB) |
| Anúncio da chapa | 15 de agosto de 2026 |
| Vice inicialmente indicado | Marina Lamenha |
| Questionamento posterior | Ministério Público Eleitoral |
| Principal questão jurídica | Desincompatibilização de cargos públicos |
| Tribunal responsável pela análise | TRE-AL |
A disputa pelo governo de Alagoas entra em nova etapa
A escolha de Yale Fernandes fechou a composição da chapa de Renan Filho dentro do prazo eleitoral, mas a posterior contestação do Ministério Público introduziu uma nova questão jurídica na campanha.
Enquanto o MDB defende a regularidade do candidato a vice, o MPE sustenta que existem elementos que justificam a análise de sua desincompatibilização.
O caso deverá avançar na Justiça Eleitoral justamente em um momento de intensa disputa pelo governo de Alagoas, com pesquisas recentes mostrando cenários diferentes entre Renan Filho e JHC.
Para o eleitor, o próximo passo relevante será acompanhar a decisão do TRE-AL sobre o registro de Yale e eventuais recursos apresentados pelas partes.
Fonte: Justiça Eleitoral, Ministério Público Eleitoral, MDB e pesquisas eleitorais divulgadas em setembro de 2026.


