Um grupo de credores da Aston Martin ameaçou tomar medidas legais contra a montadora após saber que ela planeja vender uma parte de seus direitos de marca e de nome (“naming rights”), como parte de um novo pacote de financiamento de dívida, informou o Financial Times nesta segunda-feira (3). A montadora de carros de luxo havia garantido, em julho, 550 milhões de libras em financiamento de dívida, num empréstimo liderado por fundos geridos pela HPS Investment Partners, pertencente à BlackRock.
O financiamento compreende um empréstimo a prazo garantido de 450 milhões de libras e um empréstimo a prazo com saque diferido de 100 milhões de libras, além de uma possibilidade em separado de incorrer em dívida permitida de 100 milhões de libras.
Alguns credores, aos quais são devidos 1,3 bilhão de libras, enviaram no domingo (2) uma “carta antes da ação” para o conselho da empresa britânica sobrecarregada por dívidas avisando que poderiam buscar anular a transação da HPS e bloquear a alienação de certos ativos de propriedade intelectual, disse o relatório do FT, sem identificar esses credores.
A Aston Martin e a HPS não puderam ser contatadas imediatamente para comentar fora do horário comercial regular. A Reuters não pôde verificar a notícia de forma independente.
Os credores souberam que parte do acordo depende da transferência por parte da montadora de uma participação de 50,1% de sua propriedade intelectual não automotiva para a desenvolvedora de marcas americana Authentic Brands, disse a reportagem, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
Os 100 milhões de libras adicionais sob o pacote de financiamento da HPS estão condicionados à realização da transação de direitos de marca, de acordo com a reportagem. A HPS também é investidora da Authentic Brands.
A Aston Martin se recusou a compartilhar detalhes de seu acordo com a HPS, deixando alguns credores no escuro sobre o acordo, disse o FT.
A Aston Martin tem lidado com pressões de caixa decorrentes de vendas mais fracas, tarifas dos Estados Unidos e demanda fraca na China, levando a montadora de 113 anos a buscar cortes de custos e novos financiamentos.
Linha de montagem da britânica Aston Martin
Bloomberg