Juros futuros caem antes do 1º turno e DI 2027 vai a 13,510%

Juros futuros caem antes do 1º turno, com mercado ajustando posições ao cenário eleitoral

DI para 2027 recua a 13,510%, enquanto contratos de 2029 e 2031 também registram queda; movimento ocorre em uma sessão marcada por eleições e pressão dos Treasuries

A curva de juros futuros encerrou a sexta-feira (2) em queda, depois de passar boa parte da sessão próxima da estabilidade ou em leve alta. O movimento ganhou força no período da tarde e levou os principais contratos de DI a renovarem mínimas perto do fechamento, em uma sessão marcada pela proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais.

Segundo agentes ouvidos pela Broadcast e reproduzidos pelo Estadão, o movimento esteve relacionado a um ajuste de posições diante das expectativas sobre a eleição, com parte do mercado atribuindo menor prêmio de risco ao cenário fiscal em uma eventual vitória da oposição. Essa é uma interpretação de participantes do mercado, e não uma conclusão sobre o resultado eleitoral.

O que aconteceu?

Os juros futuros inverteram o sinal ao longo da tarde e terminaram o pregão com quedas relevantes nos contratos intermediários e longos.

No fechamento:

  • DI para janeiro de 2027: caiu de 13,563% para 13,510%;

  • DI para janeiro de 2029: recuou de 13,821% para 13,690%;

  • DI para janeiro de 2031: passou de 14,034% para 13,920%.

Nos contratos de prazo intermediário e longo, a queda chegou a aproximadamente 10 pontos-base durante a parte final da sessão. Segundo os agentes citados pela Broadcast, não houve um único gatilho responsável pelo movimento.

No acumulado da semana, a curva também apresentou mudanças de inclinação, com redução aproximada de 5 pontos-base no DI para janeiro de 2027 e de 15 pontos-base no contrato para janeiro de 2029, enquanto a ponta mais longa terminou praticamente estável.

Por que aconteceu?

O principal elemento apontado pelos participantes do mercado foi o cenário eleitoral.

A proximidade do primeiro turno aumentou a sensibilidade dos preços dos ativos às pesquisas e às expectativas dos investidores. A avaliação de alguns agentes consultados pelo Estadão foi de que o mercado ajustou posições considerando diferentes possibilidades para a eleição e seus potenciais efeitos sobre a percepção de risco fiscal.

A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira mostrou Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 40% de Flávio Bolsonaro. No cenário de segundo turno entre os dois, Lula aparece com 48% e Flávio com 45%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o levantamento caracteriza empate técnico nesse segundo cenário.

O levantamento ouviu 2.506 pessoas em 152 municípios entre 29 de setembro e 1º de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08039/2026.

Portanto, existe uma diferença importante entre o resultado da pesquisa e a leitura feita pelos agentes financeiros: a pesquisa não aponta um vencedor, enquanto alguns participantes do mercado disseram ter ajustado posições em função das suas próprias interpretações sobre o cenário eleitoral.

O que isso significa?

A queda da curva de juros indica que, naquele pregão, os investidores aceitaram negociar títulos e contratos futuros com taxas menores do que no dia anterior.

Em termos simplificados, quando as taxas futuras caem, o mercado está reduzindo o prêmio de juros exigido para determinados horizontes.

Mas isso não significa necessariamente que o mercado tenha formado uma visão definitiva sobre a política monetária ou fiscal dos próximos anos.

Os preços dos DIs refletem uma combinação de fatores, entre eles:

  • expectativas para a Selic;

  • inflação futura;

  • situação fiscal;

  • atividade econômica;

  • câmbio;

  • cenário internacional;

  • percepção de risco;

  • fluxo e posicionamento dos investidores;

  • acontecimentos políticos.

Por isso, uma sessão de forte queda não deve ser interpretada isoladamente.

Quem é afetado?

A movimentação da curva de juros interessa diretamente ao mercado financeiro, mas seus efeitos potenciais vão além dos investidores.

Governo

As taxas futuras influenciam a percepção sobre o custo de financiamento da dívida pública e ajudam a formar expectativas sobre as condições financeiras do país.

Empresas

Empresas que precisam captar recursos podem ser afetadas pelo nível das taxas de mercado. Juros mais baixos, quando sustentáveis, podem reduzir o custo de determinadas operações de financiamento.

Bancos e investidores

Instituições financeiras utilizam a curva de juros para precificar operações, títulos, derivativos e diferentes estratégias de investimento.

Consumidores

A curva futura também influencia o ambiente de crédito. Embora a relação não seja automática nem imediata, mudanças persistentes nas expectativas de juros podem repercutir sobre financiamentos e empréstimos.

Bolsa e câmbio

Juros futuros também entram na formação dos preços de ações e do câmbio, porque alteram as expectativas de retorno e risco dos ativos brasileiros.

Análise da Análise Política 24H

A sessão desta sexta-feira mostra como o mercado financeiro pode reagir antecipadamente às incertezas políticas, mesmo antes de existir um resultado eleitoral.

O ponto central, porém, é separar três coisas diferentes: o que a pesquisa mostra, o que os agentes esperam e o que efetivamente acontecerá após a eleição.

A Datafolha mostra uma disputa apertada no cenário de segundo turno, mas uma pesquisa de intenção de voto é uma fotografia do momento. Já a queda dos juros futuros representa a negociação efetiva de contratos e incorpora expectativas, proteção e posicionamentos financeiros.

Outro aspecto importante é que a queda ocorreu mesmo com pressão nos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Isso reforça a importância do componente doméstico na sessão, embora não permita atribuir todo o movimento exclusivamente à eleição.

Para a Análise Política 24H, o principal indicador a observar não é apenas se os juros caíram em um determinado pregão, mas se a mudança permanece depois que a incerteza eleitoral diminuir e novas informações sobre política econômica e fiscal forem incorporadas aos preços.

Cenário

O cenário externo adicionou uma segunda variável à sessão.

Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de dez anos subiu para aproximadamente 5,279%, depois de ter alcançado níveis elevados nos últimos dias. Ao mesmo tempo, o relatório de emprego de setembro mostrou criação de apenas 29 mil postos de trabalho, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%.

O dado de emprego pode influenciar as expectativas sobre a política monetária americana, mas sua interpretação exige cautela. O próprio relatório do Bureau of Labor Statistics mostrou que as estimativas de julho e agosto foram revisadas para baixo, reduzindo em conjunto 60 mil postos em relação aos números anteriormente divulgados.

No Brasil, portanto, os investidores chegaram ao fim da semana avaliando simultaneamente eleição, risco fiscal, juros domésticos, Treasuries e atividade econômica internacional.

O que acompanhar agora?

Depois do primeiro turno, cinco pontos devem concentrar a atenção do mercado:

1. Resultado eleitoral
O resultado das urnas será a primeira informação concreta depois de uma semana marcada por pesquisas e ajustes de posições.

2. Reação da curva de juros
Será importante observar se a queda dos DIs será mantida nas próximas sessões ou se haverá reversão do movimento.

3. Câmbio e Bolsa
Dólar e ações poderão fornecer uma leitura adicional sobre a percepção dos investidores diante do resultado.

4. Política fiscal
Independentemente do resultado eleitoral, medidas relacionadas às contas públicas continuarão sendo relevantes para a formação do prêmio de risco.

5. Cenário internacional
Treasuries, política monetária dos EUA, inflação e atividade econômica continuarão influenciando os ativos brasileiros.

Leia também

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  • O que é a curva de juros e por que ela importa para investidores?

  • Mercado financeiro acompanha eleições, inflação e cenário fiscal

Fontes

Fonte principal:
Money Times / Estadão Conteúdo — Juros futuros caem com otimismo às vésperas do 1º turno

Fonte oficial — pesquisa eleitoral:
Datafolha — pesquisa presidencial de 2 de outubro de 2026

Fonte oficial — dados de emprego dos EUA:
U.S. Bureau of Labor Statistics — Employment Situation, setembro de 2026

Fonte complementar:
Reuters — Datafolha e cenário de segundo turno

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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