Lula pede revisão de estratégia no Pará diante de disputa entre três aliados ao Senado
Presidente defende conversa entre PT e MDB para avaliar candidatura de Helder Barbalho, Chicão e Celso Sabino; Pará terá duas vagas para o Senado em 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira (28) uma reavaliação da estratégia dos partidos aliados para a disputa das duas vagas do Pará ao Senado nas eleições de 2026.
Durante ato político em Belém, Lula citou diretamente Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT), que disputam vagas na Câmara Alta, e afirmou que as lideranças partidárias precisam discutir como conduzir a disputa.
“Nós só temos duas vagas pro Senado. E nós temos 3 candidatos”, declarou Lula ao se referir aos três aliados.
O presidente também defendeu uma conversa entre os presidentes nacionais do PT, Edinho Silva, e do MDB, Baleia Rossi, para avaliar a situação.
A manifestação ocorre a poucos dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e expõe uma dificuldade política dentro da própria base de Lula: existem três candidaturas de partidos aliados para apenas duas vagas.
Lula pede coordenação entre PT e MDB
Ao falar sobre Celso Sabino, Lula afirmou que gostaria de vê-lo candidato ao Senado e reconheceu que Chicão também possui apoio político dentro da aliança.
O presidente citou especificamente o apoio do governador Helder Barbalho à candidatura de Chicão e seu próprio apoio a Celso Sabino.
Na avaliação expressa por Lula durante o ato, seria necessário que as direções partidárias assumissem a responsabilidade de avaliar a estratégia eleitoral no Estado.
A sugestão é que PT e MDB discutam conjuntamente a situação e avaliem as candidaturas existentes.
O movimento mostra que a disputa pelo Senado no Pará deixou de ser apenas uma questão entre candidatos e passou a exigir uma coordenação entre partidos que integram a mesma base política nacional.
Por que existem três candidaturas para duas vagas?
Nas eleições de 2026, cada Estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores.
No Pará, porém, a aliança que apoia Lula apresenta três nomes com vínculos políticos distintos:
Helder Barbalho (MDB);
Chicão (União Brasil);
Celso Sabino (PDT).
A situação cria uma disputa interna porque os eleitores podem escolher dois nomes para o Senado.
Helder, que foi governador do Pará, conta com o apoio de setores do MDB estadual. Chicão integra a mesma composição política apoiada localmente pelo grupo de Helder. Celso Sabino, por sua vez, tem o apoio declarado de Lula.
O resultado é uma configuração na qual aliados nacionais e estaduais não estão necessariamente apoiando os mesmos dois candidatos.
Helder pede votos para si e Chicão
Durante o mesmo evento, Helder Barbalho pediu votos para sua candidatura e para Chicão, deixando Celso Sabino fora do pedido.
Ao mencionar Sabino, porém, Helder afirmou que os dois não são adversários pessoais.
Segundo o ex-governador, ele próprio apresentou Sabino a Lula para que assumisse o Ministério do Turismo.
A declaração mostra que a disputa eleitoral não necessariamente rompe as relações políticas entre os integrantes da aliança.
O conflito está concentrado na definição de quais candidaturas receberão apoio eleitoral dentro de um cenário em que existem apenas duas vagas.
Celso Sabino recebeu apoio pessoal de Lula
Celso Sabino ocupa uma posição diferente na composição política.
O candidato ao Senado pelo PDT foi ministro do Turismo no governo Lula e recebeu apoio público do presidente para disputar uma vaga no Senado.
Ao mesmo tempo, Sabino não integra a chapa majoritária apoiada pelo PT no Pará, que reúne Helder Barbalho e Chicão na disputa pelas duas vagas.
A situação já havia ficado evidente na agenda de Lula em Belém: Sabino acompanhou o evento, mas ficou fora do palanque principal destinado aos candidatos da chapa apoiada localmente pelo PT.
O que dizem as pesquisas?
Uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em 28 de setembro, realizada com 1.600 eleitores do Pará entre os dias 23 e 26 de setembro, mostrou Helder Barbalho com 36% das intenções de voto na pesquisa estimulada.
Delegado Éder Mauro (PL) e Chicão (União Brasil) apareciam com 16% cada, enquanto Zequinha Marinho (Podemos) tinha 13% e Celso Sabino (PDT), 10%.
A margem de erro era de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Esses números representam um retrato daquele levantamento, e não uma previsão do resultado eleitoral.
Além disso, a disputa para o Senado tem uma característica própria: cada eleitor poderá escolher dois candidatos. Por isso, pesquisas que agregam o primeiro e o segundo voto precisam ser interpretadas de maneira diferente de pesquisas para cargos em que há apenas uma escolha.
A disputa interna também envolve a Presidência
Lula afirmou que é necessário coordenar os votos da aliança para evitar que as divergências entre os aliados favoreçam uma candidatura adversária.
O presidente mencionou diretamente a preocupação com a eleição de um candidato alinhado a Flávio Bolsonaro.
Essa é uma avaliação política expressa por Lula, e não uma conclusão independente sobre o resultado da eleição.
A declaração mostra, contudo, que a disputa ao Senado no Pará está sendo tratada pela campanha presidencial também como parte da estratégia nacional de Lula para a eleição.
Ato reuniu aliados no Pará
O evento em Belém contou com outras lideranças políticas.
Participaram a governadora Hana Ghassan (MDB), candidata à reeleição, o prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), e o senador Beto Faro (PT).
A composição do palanque reforçou a aliança entre diferentes partidos no Estado, mas também evidenciou a divisão existente especificamente na disputa pelas duas vagas do Senado.
Análise da Análise Política 24H
O episódio revela uma característica importante das eleições para o Senado: a formação de alianças não elimina necessariamente a competição entre candidatos do mesmo campo político.
No Pará, a dificuldade está em conciliar três interesses:
1. O apoio nacional de Lula a Celso Sabino.
O presidente declarou publicamente que deseja a candidatura de Sabino e indicou que pretende apoiá-lo.
2. A estratégia estadual do grupo de Helder Barbalho.
Helder pediu votos para si e para Chicão, mantendo Sabino fora do pedido eleitoral.
3. A necessidade de eleger dois senadores.
Como existem duas vagas, uma estratégia de coordenação pode alterar a forma como os partidos e candidatos distribuirão seus esforços na reta final.
O ponto central, portanto, não é simplesmente saber qual candidato tem apoio de qual liderança. É entender se PT, MDB e demais aliados conseguirão coordenar suas campanhas sem romper a aliança política que sustenta a candidatura presidencial de Lula no Estado.
A declaração do presidente de que Edinho Silva e Baleia Rossi deveriam conversar mostra que a questão passou para o nível das direções nacionais dos partidos.
Quem é afetado?
Helder Barbalho: precisa administrar simultaneamente sua candidatura ao Senado e a composição política estadual.
Chicão: disputa uma das duas vagas com o apoio do grupo político ligado a Helder.
Celso Sabino: tem apoio declarado de Lula, mas concorre fora da dupla apoiada localmente pelo PT.
PT e MDB: precisam administrar uma disputa entre aliados que pode gerar efeitos sobre a campanha presidencial.
Eleitores paraenses: terão de escolher dois nomes para o Senado entre os candidatos registrados.
Demais candidatos ao Senado: também são afetados porque uma eventual reorganização dos votos das principais alianças pode modificar a dinâmica da disputa.
O que devemos acompanhar agora?
Os principais pontos são:
eventual reunião entre Edinho Silva e Baleia Rossi;
possíveis mudanças na estratégia do PT e do MDB no Pará;
posicionamento de Helder Barbalho sobre a candidatura de Celso Sabino;
reação de Celso Sabino ao movimento de Lula e às declarações de Helder;
comportamento das campanhas na reta final;
novas pesquisas sobre a disputa pelas duas vagas;
participação de Lula nos últimos atos de campanha no Estado;
eventual mudança na composição dos palanques;
estratégia dos demais candidatos ao Senado;
resultado das urnas em 4 de outubro.
Conclusão
A fala de Lula em Belém expôs uma dificuldade dentro da aliança que apoia sua candidatura no Pará: três aliados disputam duas vagas para o Senado.
O presidente declarou apoio a Celso Sabino, enquanto Helder Barbalho mantém sua defesa da candidatura de Chicão ao lado da própria candidatura.
A tentativa de levar a discussão para as direções nacionais do PT e do MDB mostra que a questão deixou de ser apenas uma disputa individual entre candidatos e passou a envolver a coordenação política da aliança.
O próximo passo será observar se os partidos conseguirão estabelecer uma estratégia comum para a reta final da campanha ou se os três candidatos continuarão disputando as duas vagas de maneira independente.
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FONTES
Fonte oficial — Senado Federal
Senado Notícias — Candidatos ao Senado pelo Pará em 2026 — relação dos candidatos e informações eleitorais.
Fonte — CNN Brasil / Real Time Big Data
CNN Brasil — Pesquisa para o Senado no Pará — levantamento realizado de 23 a 26 de setembro, com 1.600 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais.
Fonte — Metrópoles
Metrópoles — Lula vai ao Pará e terá aliado fora do palanque — contexto da divisão entre a chapa apoiada localmente e a candidatura de Celso Sabino.
Fonte — Itatiaia
Itatiaia — Lula participa de ato em Belém ao lado de Hana, Helder e Chicão — composição do ato político em Belém.


