Globo mantém debate presidencial de 1º de outubro mesmo com possíveis ausências de Lula e Flávio Bolsonaro
Emissora confirma realização do encontro; Lula e Flávio condicionam participação à presença um do outro, enquanto a Record cancelou seu debate de 27 de setembro
A TV Globo manterá o debate entre candidatos à Presidência da República marcado para 1º de outubro, mesmo diante da possibilidade de ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A emissora confirmou a decisão nesta quarta-feira (23).
O debate ocorrerá três dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, e será realizado dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral e pelo acordo firmado entre partidos e emissora.
A possível ausência dos dois candidatos modifica a configuração do encontro, já que Lula e Flávio são os principais nomes envolvidos no cenário eleitoral atualmente acompanhado pelas campanhas e pesquisas.
Globo decidiu manter o debate
A confirmação da Globo ocorre depois de uma sequência de debates e sabatinas em que a presença dos candidatos mais competitivos passou a ser uma questão central para as emissoras.
Segundo informações divulgadas pelo Poder360, Lula não deve comparecer ao debate da Globo, enquanto Flávio Bolsonaro mantém a posição de não participar caso o petista esteja ausente.
Com isso, o encontro poderá ocorrer com os demais candidatos que participarem.
A situação também evidencia uma diferença entre as estratégias adotadas pelas emissoras. A Record cancelou o debate previsto para 27 de setembro justamente diante da expectativa de ausência de Lula e Flávio.
Quem tem direito a participar dos debates?
A legislação eleitoral estabelece critérios específicos para os debates transmitidos por rádio e televisão.
A Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) assegura a participação de candidatos de partidos que tenham representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, enquanto a participação dos demais candidatos é facultativa.
Para as eleições de 2026, o TSE publicou uma tabela oficial de representatividade partidária que serve de referência para a participação nos debates e para a propaganda eleitoral gratuita.
A regra não significa, entretanto, que um candidato seja obrigado a comparecer.
A legislação permite que um debate seja realizado sem determinado candidato, desde que a emissora comprove que o convite foi feito com antecedência mínima de 72 horas.
Quatro candidaturas têm participação assegurada pelo critério legal
Segundo o cenário apresentado para 2026, quatro candidaturas presidenciais estão vinculadas a partidos que atingem o requisito de representação utilizado para os debates:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT);
Flávio Bolsonaro (PL);
Ronaldo Caiado (PSD);
Augusto Cury (Avante).
Isso significa que a ausência de um desses candidatos não impede automaticamente a realização do debate.
A emissora pode seguir com o programa dentro das regras eleitorais, desde que cumpra as exigências aplicáveis.
Por que Lula e Flávio podem não participar?
A decisão de comparecer ou não pertence às respectivas campanhas.
No caso de Lula, a avaliação divulgada pelo Poder360 é de que a presença de vários candidatos de direita poderia concentrar críticas sobre o presidente e dificultar um confronto direto com Flávio Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, declarou que não pretende participar caso Lula não esteja presente.
A justificativa apresentada por sua campanha é que, sem Lula, o candidato do PL ficaria exposto às críticas dos demais candidatos de direita que participarem do encontro.
Essas são estratégias atribuídas às campanhas, e não avaliações independentes sobre o efeito eleitoral de uma eventual participação ou ausência.
Debate pode ter formato diferente do confronto esperado
A ausência simultânea de Lula e Flávio poderá alterar significativamente a dinâmica do debate.
Em vez de um confronto direto entre os dois principais nomes do cenário presidencial, os candidatos presentes poderão direcionar perguntas e respostas para diferentes adversários.
O formato, as regras, o tempo de fala e a organização do encontro são definidos pela emissora em acordo com os partidos e devem respeitar as normas da Justiça Eleitoral. O TSE determina que os debates sejam realizados conforme regras previamente estabelecidas e comunicadas à Justiça Eleitoral.
Record cancelou debate de 27 de setembro
A decisão da Globo contrasta com a adotada pela Record.
A emissora havia programado um debate para 27 de setembro, mas cancelou o encontro após as campanhas de Lula e Flávio indicarem que não participariam.
Os dois candidatos também não participaram do debate da Band, realizado em 23 de agosto. Na ocasião, segundo informações publicadas pelo Poder360, a emissora chegou a remarcar o evento na tentativa de acomodar a participação de Lula.
A ausência em debates pode se tornar tema da campanha
A participação ou não nos debates tornou-se uma questão relevante na reta final da campanha presidencial.
Para os candidatos, esses encontros representam uma oportunidade de apresentar propostas e confrontar adversários diante de uma audiência nacional. Para as emissoras, o debate depende da participação dos candidatos e das regras eleitorais que regulam sua realização.
A legislação, contudo, não transforma o debate em uma obrigação pessoal de comparecimento.
O que existe é uma combinação entre direito de participação, regras de convite e liberdade do candidato para comparecer ou não ao programa.
O que acontece agora?
Com a confirmação da Globo, o próximo debate presidencial da emissora permanece marcado para 1º de outubro.
Até a realização do programa, as campanhas ainda podem alterar suas decisões sobre participação, dentro do calendário eleitoral.
Também será necessário acompanhar eventuais mudanças nas regras, no formato e na lista definitiva de participantes.
Análise Política 24H: o que muda com as possíveis ausências
O principal efeito da decisão da Globo é manter o debate como parte da agenda eleitoral mesmo sem a presença garantida dos dois candidatos que as campanhas colocam no centro da disputa.
Isso transforma o encontro em um evento diferente daquele imaginado para um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Do ponto de vista institucional, porém, a realização do debate sem um ou mais candidatos é compatível com as regras eleitorais, desde que sejam observados os requisitos legais de convite e participação.
Para o eleitor, o ponto mais importante é distinguir a decisão estratégica de cada campanha da regra eleitoral que permite a realização do debate.
A Globo decidiu manter o programa. Lula e Flávio ainda podem não participar. E os demais candidatos que estiverem presentes terão a oportunidade de apresentar suas posições e questionar os adversários dentro das regras previamente estabelecidas.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o debate de 1º de outubro ocorrerá na fase final da campanha e poderá ser um dos últimos grandes eventos televisivos antes da votação.
Fonte: TV Globo, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lei das Eleições e informações divulgadas pelas campanhas.


