Tarcísio promete saneamento universal até 2029 em 371 municípios de São Paulo

Tarcísio promete universalizar saneamento em 371 municípios atendidos pela Sabesp até 2029

Governador condiciona cumprimento da meta à reeleição e cita obras em estações de tratamento, expansão da capacidade e investimentos bilionários no sistema de água e esgoto

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (22) que pretende universalizar o saneamento básico nos 371 municípios atendidos pela Sabesp até 2029, antecipando em quatro anos o prazo estabelecido pelo marco nacional do saneamento.

A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri, na Grande São Paulo. Segundo Tarcísio, a antecipação da meta está prevista no contrato da Sabesp e será cumprida caso ele seja reeleito. A estrutura regional da URAE 1 reúne os 371 municípios operados pela companhia.

A proposta coloca o saneamento entre os principais compromissos de infraestrutura apresentados pelo governador para um eventual segundo mandato.

Meta de 2029 antecipa prazo nacional

O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece como referência nacional a universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário até 2033.

No modelo adotado em São Paulo após a desestatização da Sabesp, o Estado antecipou essa meta para 2029 nos municípios integrantes da estrutura regional atendida pela companhia. Documentos oficiais da desestatização registram justamente a antecipação das metas de 2033 para 2029.

Segundo Tarcísio, portanto, a questão agora é transformar a previsão contratual em obras efetivamente concluídas e serviços disponíveis à população.

“Essa questão da meta da universalização está prevista no contrato da Sabesp”, afirmou o governador durante a coletiva.

A meta, porém, precisa ser analisada também pelo estágio de execução dos investimentos, pela expansão das redes e pela chegada do serviço a áreas que historicamente ficaram fora da cobertura convencional.

ETE de Barueri será ampliada

Um dos principais projetos citados pelo governador é a ampliação da ETE Barueri, uma das maiores estruturas de tratamento de esgoto da região metropolitana.

A estação atualmente trata aproximadamente 16 mil litros de esgoto por segundo e deverá alcançar cerca de 22 mil litros por segundo após as obras, segundo os dados apresentados pelo governo.

A unidade recebe esgoto de milhões de moradores da Grande São Paulo, incluindo áreas da capital, Barueri, Jandira, Itapevi, Osasco, Carapicuíba e Santana de Parnaíba, além de partes de outros municípios.

O aumento da capacidade é estratégico porque a expansão do tratamento precisa acompanhar também o crescimento das ligações à rede coletora.

Governo fala em 15 estações em obras

Durante a apresentação, Tarcísio afirmou que existem atualmente 15 estações de tratamento de esgoto em obras, além de quatro grandes unidades passando por modernização.

Entre as estruturas citadas estão:

  • ETE Barueri;

  • ETE ABC;

  • ETE Parque Novo Mundo;

  • ETE São Miguel.

O governo também informa que 11 novas estações de tratamento estão sendo construídas para acompanhar a ampliação das redes de coleta.

Segundo os números apresentados pelo governador, a capacidade média de tratamento deverá chegar a aproximadamente 22,5 mil litros por segundo, aumento de 40,6%, com potencial para ampliar o acesso ao serviço para mais de 4 milhões de pessoas.

Integra Tietê concentra parte dos investimentos

As obras fazem parte do programa Integra Tietê, apresentado pelo governo paulista como um programa integrado de recuperação ambiental e infraestrutura.

Segundo Tarcísio, estão previstos aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos até 2029 no programa, distribuídos em cinco frentes: saneamento, controle de cheias, turismo e integração, eficiência logística e governança.

O saneamento é uma das peças centrais porque a redução da carga de esgoto lançada nos cursos d’água está diretamente relacionada à recuperação ambiental do Rio Tietê.

Governo afirma ter reduzido carga orgânica no Tietê

Tarcísio afirmou que a carga orgânica despejada no Rio Tietê caiu quase 30% nos últimos dois anos e que o sistema passou a tratar cerca de 10 bilhões de litros de esgoto a mais por mês.

O governador também apresentou números relacionados ao desassoreamento do rio.

Segundo ele, desde 2023 foram retirados aproximadamente 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão.

O volume, de acordo com os dados apresentados, representa cerca de 90% da meta prevista para o fim de 2026.

Por que o saneamento é estratégico para o Tietê

A recuperação do Tietê não depende apenas da retirada de sedimentos do leito do rio.

O desassoreamento atua principalmente sobre o acúmulo de sedimentos e a capacidade hidráulica do sistema. Já a expansão da coleta e do tratamento de esgoto atua sobre uma das principais fontes de poluição hídrica.

Por isso, os dois investimentos são complementares.

A lógica é relativamente simples: quanto maior a cobertura de coleta e tratamento, menor tende a ser a quantidade de carga poluidora lançada nos rios, enquanto o desassoreamento contribui para a capacidade de escoamento e controle de enchentes.

Essa integração é uma das principais justificativas para o programa reunir saneamento e controle de cheias em uma mesma estratégia.

O desafio não está apenas nas grandes estações

Um dos pontos que merecem atenção na execução da meta de 2029 é que universalizar saneamento não significa apenas ampliar a capacidade das grandes estações de tratamento.

É necessário também expandir:

  • redes de coleta;

  • ligações domiciliares;

  • sistemas de abastecimento;

  • tratamento efetivo do esgoto coletado;

  • atendimento de áreas rurais;

  • atendimento de núcleos urbanos informais;

  • infraestrutura compartilhada entre municípios.

A própria Sabesp iniciou um levantamento específico para identificar áreas rurais e domicílios ainda não atendidos nos 371 municípios, com estimativa de mapeamento de mais de 820 mil domicílios.

Esse ponto é importante porque uma estação de tratamento com capacidade ampliada não significa, automaticamente, que todos os moradores da área de concessão estejam conectados à rede.

O que muda para a população

Se a meta for efetivamente alcançada, a expansão do saneamento poderá produzir efeitos que vão além do abastecimento de água e da coleta de esgoto.

Entre os possíveis impactos estão a redução da exposição da população a esgoto sem tratamento, melhoria das condições ambientais, redução de impactos sobre rios e córregos e maior infraestrutura para áreas que atualmente possuem cobertura incompleta.

Também existe uma dimensão econômica: saneamento é infraestrutura de longo prazo e influencia a valorização urbana, a atividade econômica e as condições ambientais dos municípios.

Mas esses resultados dependem da conclusão das obras, da operação adequada das estruturas e da efetiva conexão dos imóveis às redes disponíveis.

O que precisa ser acompanhado até 2029

A promessa de universalização coloca alguns indicadores no centro do acompanhamento público.

O primeiro é o percentual real de cobertura de água e esgoto em cada município.

O segundo é a quantidade de obras efetivamente concluídas, e não apenas anunciadas ou iniciadas.

Também será importante acompanhar a evolução da capacidade de tratamento, a quantidade de novas ligações e o atendimento de áreas vulneráveis.

Outro indicador relevante será a qualidade ambiental do Rio Tietê e de seus afluentes, já que a expansão do saneamento deve produzir efeitos sobre a carga poluidora ao longo do tempo.

Análise Política 24H: a diferença entre capacidade instalada e universalização

O anúncio de Tarcísio coloca 2029 como um novo marco para o saneamento paulista. O ponto central, entretanto, será medir a distância entre obra, capacidade instalada e serviço efetivamente entregue.

Uma estação maior é importante, mas a universalização depende de uma cadeia completa: água disponível, rede instalada, imóvel conectado, esgoto coletado, tratamento realizado e operação contínua.

O contrato da Sabesp estabelece a antecipação das metas para 2029 nos 371 municípios da URAE 1, mas a execução precisa ser acompanhada por indicadores públicos de cobertura e qualidade.

Assim, o compromisso anunciado pelo governador pode ser acompanhado de maneira objetiva nos próximos anos: quantas pessoas foram efetivamente conectadas, quantos municípios atingiram as metas, quanto foi investido e quais obras foram concluídas.

Esse acompanhamento será particularmente relevante porque a promessa apresentada nesta terça-feira está vinculada ao cenário eleitoral de 2026: Tarcísio afirma que a meta será alcançada caso seja reeleito.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo, URAE 1, documentos da desestatização da Sabesp e informações divulgadas na coletiva de 22 de setembro de 2026.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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