Senado propõe grupo de trabalho para elaborar reforma do Judiciário em até 60 dias

CDH aprova indicação para grupo de trabalho sobre reforma do Judiciário

Proposta apresentada por Damares Alves pede que a CCJ reúna projetos e PECs em tramitação e apresente uma proposta de reforma do Poder Judiciário em até 60 dias

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado aprovou nesta terça-feira (15) uma indicação para que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) crie um grupo de trabalho destinado a reunir propostas de reforma do Poder Judiciário que já tramitam no Congresso Nacional. A intenção é que o grupo apresente uma proposta consolidada no prazo máximo de 60 dias.

A iniciativa foi apresentada pela presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), durante uma reunião do colegiado que discutiu os desdobramentos institucionais da sessão extraordinária realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira.

Damares propõe consolidação de propostas

Segundo Damares Alves, o grupo de trabalho deveria levantar as propostas de emenda à Constituição e os projetos de lei relacionados à reforma do Judiciário que já estão em tramitação no Congresso.

A ideia, segundo a senadora, é evitar a dispersão de diferentes iniciativas e reunir o conteúdo em uma única proposta para análise do Legislativo.

A parlamentar afirmou ainda que a CDH não teria competência para criar diretamente esse grupo de trabalho e, por isso, encaminhou a sugestão à CCJ, comissão responsável pela análise de matérias constitucionais e jurídicas no Senado.

A indicação aprovada pela CDH, entretanto, não cria automaticamente o grupo de trabalho. Trata-se de uma proposição pela qual uma comissão sugere a adoção de determinada providência a outro órgão ou comissão. A criação efetiva do grupo dependerá da análise e das providências da CCJ.

Proposta surge após sessão do STF

A discussão ocorreu no mesmo dia em que o STF realizou uma sessão extraordinária para analisar a Petição 16.662, relacionada a elementos reunidos pela Polícia Federal sobre possíveis relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O julgamento, porém, não chegou a uma decisão definitiva sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.

Durante a sessão, os ministros discutiram questões processuais relacionadas ao caso. O ministro Flávio Dino pediu vista dos autos, interrompendo o julgamento.

A sessão foi marcada pelo debate sobre a forma de condução do caso e sobre a possibilidade de reunir a análise envolvendo Moraes com outro procedimento relacionado ao ministro André Mendonça.

Alessandro Vieira anuncia recurso ao STF por CPI

Durante a reunião da CDH, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) também anunciou que pretende recorrer ao próprio Supremo Tribunal Federal para tentar garantir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis relações entre ministros do STF e Daniel Vorcaro.

Segundo Vieira, o requerimento conta com 41 assinaturas e está há cerca de seis meses na Mesa do Senado, sob responsabilidade do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O senador afirmou que pretende utilizar um mandado de segurança para pedir ao STF que determine a instalação da comissão.

Um pedido anterior relacionado ao tema havia sido protocolado no Senado em março de 2026. Na ocasião, o requerimento divulgado oficialmente pelo Senado registrava 35 assinaturas e previa uma CPI para apurar eventuais relações entre Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

Debate sobre os limites entre Senado e Judiciário

A iniciativa aprovada pela CDH coloca novamente em discussão a relação entre o Poder Legislativo e o Judiciário.

A eventual criação de um grupo de trabalho na CCJ poderá reunir propostas que tratam de diferentes aspectos do funcionamento do Judiciário, incluindo alterações constitucionais e mudanças na legislação.

Por se tratar de uma indicação, o próximo passo depende da tramitação dentro do Senado. A CCJ terá de avaliar a sugestão e decidir sobre a criação do grupo e a forma de condução dos trabalhos.

O que pode acontecer agora?

Caso a CCJ acolha a indicação, o grupo de trabalho poderá fazer um levantamento das PECs e projetos de lei relacionados à reforma do Judiciário que já estão em tramitação no Congresso.

A partir desse levantamento, os parlamentares poderão discutir quais propostas podem ser aproveitadas, modificadas ou consolidadas.

O prazo sugerido pela CDH é de 60 dias, mas a aprovação da indicação não significa que uma reforma será aprovada nesse período. Depois de eventualmente elaborada, uma proposta ainda precisaria seguir o processo legislativo correspondente.

O que está em discussão no Senado?

O movimento da CDH ocorre em um momento de forte debate institucional envolvendo o Congresso e o STF. De um lado, senadores defendem mudanças nas regras relacionadas ao funcionamento e à fiscalização do Judiciário. De outro, qualquer alteração constitucional ou legal nessa área precisa respeitar as competências estabelecidas pela Constituição e passar pelas etapas previstas no processo legislativo.

A discussão, portanto, deve avançar em diferentes frentes: a eventual criação do grupo na CCJ, o andamento das propostas já existentes no Congresso e os desdobramentos dos processos relacionados ao caso Banco Master.

Conclusão

A CDH do Senado aprovou uma indicação para que a CCJ crie um grupo de trabalho destinado a reunir propostas de reforma do Poder Judiciário e apresentar uma proposta consolidada em até 60 dias.

A iniciativa foi apresentada por Damares Alves após a sessão extraordinária do STF desta terça-feira, que terminou sem decisão definitiva sobre a abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes, depois do pedido de vista de Flávio Dino.

O próximo passo dependerá da CCJ, que deverá analisar a indicação e decidir se adotará a proposta de criação do grupo de trabalho.

Fonte: Senado Federal, STF e informações de agências de notícias.

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Leonardo Guimarães

Escritor e blogueiro

Sou Leonardo Guimarães, analista político e escritor apaixonado por informação, debate público e pelos bastidores da política brasileira. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Congresso, STF, eleições e economia, trazendo análises, opiniões e notícias com uma linguagem clara, direta e atualizada para manter você sempre bem informado.

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