Mateus Simões admite mudança no comando da Cemig e descarta privatização da estatal
Em sabatina, governador de Minas afirmou que eventual alteração na presidência cabe ao conselho; dias depois, Estado indicou Márcio Nunes para substituir Alexandre Peixoto
O governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), admitiu durante sabatina da CNN Brasil a possibilidade de mudanças na presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A declaração ocorreu em 20 de agosto, em meio às discussões sobre alianças políticas para a eleição estadual.
Na entrevista, Simões foi questionado sobre possíveis negociações com o União Brasil envolvendo espaços no governo em troca de apoio eleitoral. Entre as posições mencionadas estava justamente o comando da Cemig, além da Secretaria de Governo, então ocupada anteriormente por Marcelo Aro.
O governador afirmou que a Cemig é uma companhia de capital aberto e que decisões sobre sua presidência seguem as regras de governança da empresa.
“A Cemig é uma empresa listada e a decisão sobre a presidência ficou no conselho.”
Simões também declarou que eventuais alterações na diretoria não poderiam ser antecipadas publicamente em razão das regras aplicáveis às companhias abertas.
Mudança acabou sendo anunciada dias depois
A possibilidade mencionada na entrevista ganhou contornos concretos posteriormente.
Em 31 de agosto, o Estado de Minas Gerais, controlador da Cemig, indicou Márcio Augusto Vasconcelos Nunes para assumir a presidência da companhia. Alexandre Ramos Peixoto, que ocupava o cargo de CEO, foi indicado para integrar o Conselho de Administração e assumir sua presidência. As indicações ainda estavam sujeitas aos procedimentos de governança previstos na legislação e no estatuto da empresa.
A mudança ocorreu em meio a um contexto de discussões sobre a Cemig SIM, braço de energia solar da estatal. Segundo a CNN, Simões havia proposto deslocar Alexandre Peixoto e o vice-presidente jurídico Sérgio Pessoa de Castro para a subsidiária, com a justificativa de aprofundar apurações sobre eventuais irregularidades.
Assim, a declaração de 20 de agosto deve ser lida como parte de um processo que posteriormente resultou em uma alteração formal na estrutura de comando da companhia.
Simões elogiou Alexandre Peixoto
Na sabatina, antes da mudança formal anunciada posteriormente, Simões fez elogios ao então presidente da Cemig.
O governador afirmou que Alexandre Ramos Peixoto tinha sua confiança e que não seria afastado da administração da companhia, embora tenha ressaltado que mudanças de posição poderiam ocorrer dentro da estrutura empresarial.
A posterior indicação de Peixoto para a presidência do Conselho de Administração preservou sua participação na governança da estatal, mas alterou sua função executiva.
Governador diz que não pretende privatizar a Cemig
Outro ponto de destaque da entrevista foi a posição de Simões sobre a privatização da Cemig.
O governador afirmou que não pretende levar adiante um processo de privatização da companhia caso seja reeleito. Segundo ele, a Cemig estaria em uma situação diferente da observada no passado e atualmente concentraria seus investimentos em Minas Gerais.
A declaração contrasta com discussões anteriores sobre a possibilidade de desestatização da companhia dentro das estratégias para enfrentar a dívida do Estado.
O próprio governo mineiro já trabalhou com alternativas envolvendo ativos estaduais no contexto do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Documentos oficiais indicam que participações societárias em empresas estavam entre as possibilidades consideradas para abatimento da dívida, embora isso não significasse necessariamente que todos os ativos seriam utilizados.
Gasmig aparece como prioridade diferente
Se a posição sobre a Cemig foi de manutenção do controle estatal, o discurso de Simões foi diferente em relação à Gasmig, companhia de gás de Minas Gerais.
Durante a entrevista, o governador afirmou que pretende discutir a privatização da empresa porque considera necessário ampliar os investimentos no setor de gás.
Segundo sua argumentação, a transferência da Gasmig para o setor privado seria uma alternativa para aumentar a capacidade de investimento.
A diferença entre as duas empresas, portanto, passou a fazer parte do discurso de campanha: manutenção da Cemig sob o modelo atual e discussão de privatização da Gasmig.
Cemig continua no centro do debate sobre ativos de Minas
A Cemig ocupa uma posição estratégica na economia mineira e sua estrutura societária também tem relação com as discussões fiscais do Estado.
Por isso, qualquer alteração no comando da empresa pode ser acompanhada pelo mercado, especialmente porque se trata de uma companhia listada em Bolsa.
Para investidores, mudanças na administração precisam ser analisadas em conjunto com resultados financeiros, investimentos, política de dividendos, estrutura de capital, concessões e estratégia operacional.
A simples troca de executivos não permite concluir, isoladamente, que haverá mudança nos resultados ou na estratégia da empresa.
Mudança na presidência ocorre em momento de atenção sobre governança
A troca no comando executivo também ocorre em um período no qual a Cemig está sob atenção em razão de acontecimentos envolvendo sua subsidiária Cemig SIM.
Segundo a CNN, o então diretor comercial da Cemig SIM, Rubens Soalheiro, havia sido demitido e citado pela Polícia Federal por suposto envolvimento com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As referências são a suspeitas e não equivalem, por si só, a uma conclusão sobre responsabilidade criminal.
Foi nesse contexto que Simões afirmou querer uma investigação aprofundada sobre eventuais irregularidades na subsidiária.
A relação entre os fatos e a reorganização da administração deve ser tratada com cautela, já que as apurações e os procedimentos de governança possuem etapas próprias.
O que muda para a Cemig
A mudança anunciada posteriormente estabelece uma separação entre a liderança executiva e a presidência do Conselho de Administração.
Márcio Nunes foi indicado para a presidência da companhia, enquanto Alexandre Peixoto foi indicado para presidir o conselho.
A nova configuração deverá ser acompanhada principalmente por seus efeitos sobre a estratégia da companhia, os investimentos e a governança.
Entre os pontos de atenção estão:
investimentos em geração e distribuição;
desempenho financeiro;
política de dividendos;
concessões e ativos regulados;
expansão das operações em Minas Gerais;
situação da Cemig SIM;
decisões do Conselho de Administração;
relação entre governo controlador e gestão profissional da companhia.
Conclusão
A declaração de Mateus Simões à CNN, em 20 de agosto, abriu espaço para uma possível mudança no comando da Cemig, embora o governador tenha ressaltado que a decisão formal caberia à estrutura de governança da companhia.
Dias depois, em 31 de agosto, o Estado de Minas Gerais indicou Márcio Nunes para a presidência da Cemig, enquanto Alexandre Ramos Peixoto foi indicado para comandar o Conselho de Administração.
Ao mesmo tempo, Simões declarou que não pretende privatizar a Cemig, mas defendeu a possibilidade de privatização da Gasmig para ampliar os investimentos no setor de gás.
Para a companhia e seus acionistas, o principal ponto a acompanhar é como a nova configuração de governança será traduzida em decisões sobre investimentos, estratégia operacional e gestão dos ativos da estatal.
Fonte: CNN Brasil, Governo de Minas Gerais e informações de governança da Cemig.


