Flávio Bolsonaro questiona mistura de etanol na gasolina e promete rediscutir regra
Candidato do PL critica aumento para 32% e diz que há outras formas de incentivar o setor sucroenergético
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende rediscutir o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina caso avance sua proposta para o setor de combustíveis. A declaração ocorre após o governo federal elevar temporariamente a mistura de 30% para 32%.
O debate sobre a composição da gasolina entrou no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro. Em live realizada na quinta-feira (20), o candidato do PL criticou a decisão do governo Luiz Inácio Lula da Silva de aumentar a participação do etanol anidro na gasolina comercializada no país.
Flávio afirmou que a proporção do biocombustível deverá ser novamente discutida e defendeu a existência de alternativas para estimular a cadeia sucroenergética sem necessariamente elevar o percentual de etanol na gasolina.
A declaração coloca em debate dois pontos diferentes da política de combustíveis: a composição do produto vendido ao consumidor e a estratégia do governo para ampliar o uso de biocombustíveis produzidos no Brasil.
O que mudou na gasolina brasileira
A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho de 2026.
A resolução elevou de 30% para 32% o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina comum. A chamada gasolina E32 entrou em vigor em 1º de agosto e tem duração inicial de 180 dias, com possibilidade de uma única prorrogação por igual período.
A gasolina premium permanece com mistura obrigatória de 25% de etanol anidro.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a alteração foi fundamentada em estudos técnicos sobre a segurança e a viabilidade da mistura para a frota brasileira.
O governo também afirma que o E32 contribui para reduzir a necessidade de importação de gasolina. Na estimativa apresentada pelo Ministério de Minas e Energia, a mudança pode evitar a importação de aproximadamente 900 milhões de litros de gasolina por ano.
Flávio compara mudança a produtos menores nas prateleiras
Ao criticar a política, Flávio Bolsonaro recorreu a exemplos de redução de quantidade em produtos de consumo cotidiano.
Durante a transmissão, o candidato comparou o aumento do etanol na gasolina a situações em que produtos passam a ter embalagens menores mantendo a aparência ou o preço, fenômeno conhecido como shrinkflation ou “reduflação”.
Na avaliação apresentada por Flávio, a maior participação do etanol reduziria a parcela de gasolina propriamente dita presente no combustível adquirido pelo consumidor.
A frase utilizada pelo candidato — de que “a gasolina virou etanol” — foi uma crítica política à composição do combustível, e não uma descrição técnica de que o produto tenha deixado de ser gasolina.
Candidato defende outras formas de apoiar o etanol
Flávio também afirmou que existem outras maneiras de incentivar o setor sucroenergético brasileiro.
O candidato, entretanto, não apresentou na declaração divulgada um conjunto detalhado de medidas alternativas capazes de substituir o efeito da mistura obrigatória.
Essa diferença é relevante para o debate: a alteração do E30 para o E32 é uma decisão regulatória específica, enquanto uma eventual mudança de política dependeria de definir como manter incentivos à produção de etanol, à indústria sucroenergética e à segurança energética sem utilizar o mesmo mecanismo de aumento da mistura.
Por que o governo aumentou o percentual
A justificativa oficial para o E32 está ligada à política energética e ao aproveitamento de biocombustíveis produzidos no país.
O Ministério de Minas e Energia afirma que a medida busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e ampliar a participação do etanol na matriz energética brasileira. O governo também relaciona a decisão ao cenário de volatilidade internacional do petróleo e dos combustíveis.
A medida está inserida na chamada Lei do Combustível do Futuro, que estabeleceu mecanismos para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir emissões no setor de transportes.
Assim, a discussão não envolve apenas o preço pago na bomba. Também estão em jogo questões como produção agrícola, indústria de etanol, importação de derivados de petróleo, segurança energética e emissões.
Debate também envolve o setor sucroenergético
A possibilidade de rever o E32 gerou reação de entidades ligadas à cadeia do etanol.
Organizações do setor defenderam a manutenção da mistura e destacaram a importância econômica da cadeia que reúne produtores de cana, usinas e empresas de biocombustíveis.
Esse contraponto mostra que uma eventual revisão da regra produziria efeitos que ultrapassariam o consumidor de gasolina.
Uma redução da mistura poderia alterar a demanda por etanol anidro e, consequentemente, afetar produtores e usinas. Por outro lado, uma mistura maior amplia a utilização do biocombustível e reduz a parcela de gasolina fóssil presente no produto final.
A questão do consumidor
Para o consumidor, a discussão sobre o E32 precisa ser separada de uma questão que costuma gerar confusão: o aumento da mistura não significa automaticamente que a gasolina ficará mais barata ou mais cara na mesma proporção.
O preço final depende de vários componentes, entre eles petróleo, câmbio, tributação, margens de distribuição e revenda, além dos preços relativos entre gasolina e etanol.
Portanto, a mudança de 30% para 32% não permite, isoladamente, concluir que haverá determinado impacto no preço final pago nos postos.
O que está em discussão para 2026
A declaração de Flávio Bolsonaro transforma uma decisão técnica e regulatória em um dos temas que podem aparecer no debate eleitoral sobre energia e custo de vida.
De um lado, o governo federal sustenta que o E32 amplia o uso de um combustível renovável produzido nacionalmente e reduz a necessidade de importação de gasolina.
De outro, Flávio Bolsonaro questiona a política e afirma que pretende discutir novamente o percentual caso avance sua proposta de governo.
O ponto que permanece aberto é quais seriam, em uma eventual revisão, os mecanismos alternativos para preservar o estímulo ao setor sucroenergético e, ao mesmo tempo, atender aos objetivos de segurança energética e redução da dependência de combustíveis fósseis.
O que o consumidor precisa acompanhar
O principal efeito prático da mudança será acompanhado ao longo da vigência do E32.
Entre os pontos que podem influenciar o debate estão:
comportamento dos preços da gasolina e do etanol;
disponibilidade de etanol no mercado;
relação de preços entre gasolina e etanol;
impacto sobre produtores e usinas;
necessidade de importação de gasolina;
desempenho da mistura na frota brasileira;
eventual decisão do governo de prorrogar o E32 após os primeiros 180 dias.
Conclusão
A crítica de Flávio Bolsonaro coloca a mistura de etanol na gasolina no centro de uma discussão que combina política eleitoral, preços dos combustíveis e estratégia energética.
A regra atualmente em vigor elevou temporariamente o percentual de etanol anidro de 30% para 32%, enquanto o governo defende a medida como instrumento de segurança energética e valorização da produção nacional de biocombustíveis.
Flávio, por sua vez, defende uma rediscussão do percentual e afirma que existem outras formas de apoiar o setor sucroenergético.
A eventual mudança dependeria, além da decisão política, da definição de alternativas regulatórias capazes de equilibrar os interesses de consumidores, produtores de etanol e a estratégia energética brasileira.
Fonte: Ministério de Minas e Energia, ANP e declarações públicas de Flávio Bolsonaro.


